Hoje choraria o rio inteiro por ti
De pertinho ela era doce
Mas era só eu me afastar
Que ventava dentro
Uma agonia de me matar
Para um aprendizado do silêncio
Estiveste tão perto de mim
Que poderia contar
Sílabas nos teus lábios
E na tua respiração
Dourar as palavras
Em lenta epifania
Estiveste tão perto de mim
Que eu quase não me cabia
quadrinha da prova dos nove
Neste teu semblante
de aurora
Tudo flora
Noves fora eu
para-choque de caminhão
eu não preciso saber
nada sobre mim
meu desconhecimento
me enriquece
arma zen
AR-15
de poeta
é palavra
papo hot
a poesia
se devassa
com a língua
haikai volátil
tão puro e sozinho
que nem
asa de passarinho
Para uma nova poética do tombo
diante
do êxito:
hesito
para a flor branquinha
quiçá alguém encontre
o verso que perdi
quando você disse adeus
e dele faça sem demora
um poema concreto
A ilha do meio-dia
A vida vívida regia
O vento que vinha
Tudo fazia moinho
Eu regurgitava pedras
No túmulo apócrifo
Do poema
domingo, novembro 17, 2013
terça-feira, novembro 12, 2013
mais poemas, poemas
poeminha para
misto quente numa estação do inferno
uma coisa é um poema de bukowski
outra coisa é um poema de rimbaud
não confunda
le bateau ivre
com the bluebird
toque o barco companheiro
fruição de poesia é ágil
saiba que verso é naufrágio
uma coisa é um poema de bukowski
outra coisa é um poema de rimbaud
não confunda
le bateau ivre
com the bluebird
toque o barco companheiro
fruição de poesia é ágil
saiba que verso é naufrágio
Elegia
1ª. versão
Entre mim e ela
Não havia romance
Tampouco prosa
Tudo era poesia
2ª. versão
Ela nunca me deu
Chance de romance
Nem prosa havia
Era só poesia
1ª. versão
Entre mim e ela
Não havia romance
Tampouco prosa
Tudo era poesia
2ª. versão
Ela nunca me deu
Chance de romance
Nem prosa havia
Era só poesia
poeminha de
impossível ternura
p/ Martha
eu repetia anis, malmequer,
um blues qualquer
para te escravizar na palavra
de um poema meu
p/ Martha
eu repetia anis, malmequer,
um blues qualquer
para te escravizar na palavra
de um poema meu
porque eu fico
úmido de ti
chuva fina na retina
era o que vinha
quando tu me ias
chuva fina na retina
era o que vinha
quando tu me ias
circunavegação
da ausência III
cansei de tanto gritar
para vires
agora eu me mudo
cansei de tanto gritar
para vires
agora eu me mudo
sábado, novembro 09, 2013
sobre todas as linguagens
a pele de tereza era linda
mas a língua não
a língua era muito lida
só pronunciava sofisma
sofia tinha o corpo esguio
e os olhos me capturavam
a língua lembrava um rio
só me inflamava líquidos
maria era cheia de heresia
mas tinha a língua doce
a língua de Maria
era puro verbo da ambrosia
já joana era tão omissa
escondia o corpo e a língua
mas tinha as suas venetas
acesa sabia de cor a missa
quarta-feira, novembro 06, 2013
poemas, poemas, poemas
na carruagem dos
dias
eu apoio qualquer protesto
seja ele pacífico
ou atlântico
eu apoio qualquer protesto
seja ele pacífico
ou atlântico
circunavegação
da ausência
ela me marcou
com um silêncio
nas retinas
ela me marcou
com um silêncio
nas retinas
circunavegação
da ausência II
subitamente era uma palavra
que se enroscava em teu lábio
subitamente era uma palavra
que se enroscava em teu lábio
fragmento
eu acordei silêncio
olhos mudos
vicejava em mim
um ranço de brevidade
eu acordei silêncio
olhos mudos
vicejava em mim
um ranço de brevidade
fragmento
não perco mais tempo com mesuras
do teu corpo de labirintos
só anseio travessuras
não perco mais tempo com mesuras
do teu corpo de labirintos
só anseio travessuras
domingo, novembro 03, 2013
fragmentos
fragmento para gênese
tenho esperança
de um dia
ser peixe,
pássaro ou árvore
e me desvencilhar
de vez
de todas as palavras
Porque a pele não se turva se tu me gostas
O verso é osso
Palavra posta
Qualquer vacilo
Fratura exposta
quarta-feira, outubro 30, 2013
poemas esparsos
solilóquio
Diga alguma
coisa
Mas não cite meu
nome
Faça inventos
Procure o silêncio
no arroio
E se no acaso
vier
A reminiscência
da palavra
Diga alguma
coisa
Mas não cite meu
nome
+ 1 canção para o registro do vento
eu sou o último
ato
deste trágico
poema sem fim
fragmento
não mais dedicaste teu íntimo as nuvens
hoje elas soçobram no céu desavisadas
com ânsias de raios para vicejar
desista das canções de amor
lá fora a urbe e o orbe
o tempo cobra a sorte
do desígnio demente
de se ir morrendo
lentamente
não mais dedicaste teu íntimo as nuvens
hoje elas soçobram no céu desavisadas
com ânsias de raios para vicejar
desista das canções de amor
lá fora a urbe e o orbe
o tempo cobra a sorte
do desígnio demente
de se ir morrendo
lentamente
segunda-feira, outubro 28, 2013
Ária para brilho do ouro de Midas
Sangro por tantos amigos idos
Tantos desejos findos
Mas sinto olhos que flamejam
No vento pueril de uma tarde
E penso nesta urgência de vida
Antes que a noite me beije a face
domingo, outubro 27, 2013
ária para brasas e berlotas
eu cismava sozinho
quando ela passou
viciante como crack
feito incêndio de napalm
trajava sorriso sorrateiro
saia de musa gitana
piercing no lábio inferior
sandálias de couro
numa alquimia de woodstock
pensei em gritar um poema
um troço qualquer
mas ela esvoaçou
intransponível
e me deixou com
essa ventania nos olhos
que não cansa de cegar
sexta-feira, outubro 25, 2013
dentro de mim passa um rio que não se esquece
não faço
escolhas
cumpro desígnios
e as palavras
não me absolvem
quinta-feira, outubro 24, 2013
para bom entendedor dois versos se bastam
a dor que me
povoa os passos galantes
lembram Leminski e o poema elegante
lembram Leminski e o poema elegante
terça-feira, outubro 22, 2013
segunda-feira, outubro 21, 2013
do soneto & da emenda
do soneto &
da emenda
nunca sei de ti,
nunca
mas caminhas em
perdição
nas minhas
palavras
do soneto &
da emenda II
quase fui
atropelado
por um verso
que não cabia no
poema
domingo, outubro 20, 2013
Jogral para as barbas de walt whitman
fosses flor
caminho
ou pedra
ainda assim
não saberia
teu significado
mas ávido
desejo-te
como o ar
tão pleno
de vazio
e ausência
sexta-feira, outubro 18, 2013
Poema de delicados gumes
Queria ousar
espelhos
Transitar no
inóspito
Mar que são teus
olhos
Queria velar
espelhos
Transitar no
áspero
Ar que tu me
salivas
(Eu singro arrepios)
quarta-feira, outubro 09, 2013
Poeminha para um diálogo com a Adriana Aleixo
Da fruta furiosa em néctar
Não há segredo na saliva
Nem tudo que ela incita
Olor em viço que transita
Assis Freitas
********************
Âmago de Flor
Eu moraria em seus lábios
feito céu
açúcar e sol.
Adriana Aleixo
Não há segredo na saliva
Nem tudo que ela incita
Olor em viço que transita
Assis Freitas
********************
Âmago de Flor
Eu moraria em seus lábios
feito céu
açúcar e sol.
Adriana Aleixo
poeminha para um diálogo com o Domingos
A prosa espúria do homem só
De todos os poemas que escrevi
Nenhum me servirá de arremate
Ainda espero o amor que me mate
Assis Freitas
**************
antes dos sonhos
No tempo em que era noviço
livros e amores minhas ilusões.
Os livros as traças da estante
comeram e outras traças
apagaram da memória.
E os amores,
ainda hoje,
somem.
Não havia alternativa
à minha alma desiludida
senão mesmo escrever poemas.
Domingos Barroso
De todos os poemas que escrevi
Nenhum me servirá de arremate
Ainda espero o amor que me mate
Assis Freitas
**************
antes dos sonhos
No tempo em que era noviço
livros e amores minhas ilusões.
Os livros as traças da estante
comeram e outras traças
apagaram da memória.
E os amores,
ainda hoje,
somem.
Não havia alternativa
à minha alma desiludida
senão mesmo escrever poemas.
Domingos Barroso
Poeminha para um diálogo com a Helena
Missivas à espera de remetente
Carta 1
O amor é esse bicho doido que você plantou dentro de
mim. Eu disse que não queria, que não podia, mas foi tanta insistência que
acabei sucumbindo. Agora estou aqui com poemas por toda a casa, o som no volume
máximo ouvindo Marisa Monte, com todas essas esquisitices de um ser apaixonado.
Não, não me diga que tudo isso passa. Não passa. Olha o que eu escrevi:
Essa coisa que aconteceu entre a gente
Incontinente: acho que foi ist(m)o
Vou ver as ruas, quem sabe o ar poluído me recupere
de tuas purezas, dessa leveza que imantas nos gestos e nas palavras. Por
enquanto hoje é sábado, neste calendário corroído de pretéritos. Te beijo com
esta ânsia de tempestades.
Assis Freitas
*********************
Imensa Sorte
Lágrimas, uma sopa de lágrimas, ela prepara sem
descascar uma cebola. Devagar, colher de pau girando a água na panela, vai
engrossando o caldo. Lembranças, remorsos, impotência. Os três se misturando em
quantidades impossíveis de mensurar. De vez em quando, uma pitada de
incompreensão outra de desamparo são lançadas como quem lança um monólito no
infinito e se surpreende diante do fogo que chama e queima dedos descuidados.
Dedos finos, de unhas roídas, raladas pela ansiedade que zune nos ouvidos e
abafa os apitos da chaleira e dos trens da infância e também o último silvo do
guarda noturno em sua ronda incompatível com as nuances da cidade de vivos,
mortos e indefinidos, espécie de temperos insonsos e incapazes de fazer
diferença seja em um prato quente ou frio, na sobremesa ou no cafezinho servido
puro, forte, amargo, e servido com ojeriza profunda aos paraísos artificiais do
aspartame ou do açúcar que caria a alma e cobre de gordura a cozinha, a xícara
e a verdade de que seria uma sorte se a sopa fosse de pedra.
Helena Terra
Poeminha para um diálogo com o Marco
Pronunciei teu nome ao vento
E atirei à sorte em lance de dados:
Deu silêncio
Assis Freitas
****************
ah esse vento esse vento
entra sem pedir licença
me toma por inteiro
sem esta ou aquela presença
Marco Cremasco
E atirei à sorte em lance de dados:
Deu silêncio
Assis Freitas
****************
ah esse vento esse vento
entra sem pedir licença
me toma por inteiro
sem esta ou aquela presença
Marco Cremasco
Poeminha para um diálogo com a Adriana
acho que cheguei tão tarde
que tudo já havia acontecido
sobrou o prato vazio
a sede no copo quebrado
a vida interrompida
a cólera: desmedida
só eu insisti em ficar
arrebol em desalinho
nuvem em assovio
argamassa de arrepios
saudação de arco-íris
Assis Freitas
*********************
... dos ratos que circulam no sótão, juntos aos abortos de risadas míopes, as flores murchas dos cadáveres, pelas comunicações eletrônicas que se cortam ao mesmo tempo que os colares de pérolas e as cordas dos andaimes ... não se atrase amor...
não se atrase.
Adriana Zapparoli
que tudo já havia acontecido
sobrou o prato vazio
a sede no copo quebrado
a vida interrompida
a cólera: desmedida
só eu insisti em ficar
arrebol em desalinho
nuvem em assovio
argamassa de arrepios
saudação de arco-íris
Assis Freitas
*********************
... dos ratos que circulam no sótão, juntos aos abortos de risadas míopes, as flores murchas dos cadáveres, pelas comunicações eletrônicas que se cortam ao mesmo tempo que os colares de pérolas e as cordas dos andaimes ... não se atrase amor...
não se atrase.
Adriana Zapparoli
Poeminha para um diálogo com o Diego
Sigo crucificado por olhares
Silêncios, ausências
Pra todos vocês que pensam
Que eu escrevo poemas
Sinto muito decepcioná-los:
Essas palavras são apenas escarros
Assis Freitas
Silêncios, ausências
Pra todos vocês que pensam
Que eu escrevo poemas
Sinto muito decepcioná-los:
Essas palavras são apenas escarros
Assis Freitas
************
Um relógio que regule mágoas
Um rádio que toque teus sussurros matinais
Um livro de poesia com gosto de perdão e chuva.
Diego Moraes
terça-feira, outubro 08, 2013
Poeminha para um diálogo com a Daniela
Você me disse que o
céu estava em chamas
quase em abismo
eu sorri contente
foi por um pedaço teu
que perdi o assombro
nos dentes
****************
Abismos
os olhos estão fechados
mas avistamos o abismo
as dores mesmas
ainda que belas
estendem-se em fúria
e são como pétalas
e são como bombas
que caíssem
de um céu em chamas
Daniela Delias
céu estava em chamas
quase em abismo
eu sorri contente
foi por um pedaço teu
que perdi o assombro
nos dentes
****************
Abismos
os olhos estão fechados
mas avistamos o abismo
as dores mesmas
ainda que belas
estendem-se em fúria
e são como pétalas
e são como bombas
que caíssem
de um céu em chamas
Daniela Delias
Poeminha para um diálogo com o Jarbas
Vivo escrevo e me repito
Porque morto só o limbo
Assis Freitas
POETA BISSEXTO
raro escrevo.Vivo.
escrever é um verbo
intransitivo.
Jarbas Martins
Porque morto só o limbo
Assis Freitas
POETA BISSEXTO
raro escrevo.Vivo.
escrever é um verbo
intransitivo.
Jarbas Martins
Poeminha para um diálogo com a Líria
Ai amada minha
Que frio
Me percorre
A espinha
Quando alisas
As madeixas
E te enroscas
Feito gueixa
Entre brisas
Acalantos, brasas
Quando me deixas
Em mergulho
Neste rio
Que é a tua casa
Assis Freitas
*******
ó_cio
quão bom é dormir
numa cama à toa
igual a canoa
a alisar o rio
a nos transportar
para a outra margem
e sentir no dorso
o frescor da brisa
o corpo do amado
o ardor do cio
Líria Porto
Que frio
Me percorre
A espinha
Quando alisas
As madeixas
E te enroscas
Feito gueixa
Entre brisas
Acalantos, brasas
Quando me deixas
Em mergulho
Neste rio
Que é a tua casa
Assis Freitas
*******
ó_cio
quão bom é dormir
numa cama à toa
igual a canoa
a alisar o rio
a nos transportar
para a outra margem
e sentir no dorso
o frescor da brisa
o corpo do amado
o ardor do cio
Líria Porto
Poeminha para um diálogo com a Cris
Por onde você vier
Que venha
Estou versado
Em extravios
Assis Freitas
*******
Extravio
Não lavro sem desvio
se não acho o atalho:
silencio.
Cris de Souza
Poeminha para um diálogo com Lara
Sigo cego e nu
Cismo pretéritos
Cultuo ausências
Mas não há
Nenhuma novidade
Neste silêncio
Assis Freitas
*************
refaço todos os passos...
refaço todos os passos
para te contar
algo novo
só invenção que for
para me tirar de dentro
o buraco é negro
porque estamos cegos
não há trilha
ou túnel
só o rumo exato
do inferno
há este campo vasto
sem sombra ou posto
a luz é de rachar
crânios ao meio-sonho
girando as rotatórias
em volta dos umbigos
do mato, um plano
sem guia
para cegos
Lara Amaral
Cismo pretéritos
Cultuo ausências
Mas não há
Nenhuma novidade
Neste silêncio
Assis Freitas
*************
refaço todos os passos...
refaço todos os passos
para te contar
algo novo
só invenção que for
para me tirar de dentro
o buraco é negro
porque estamos cegos
não há trilha
ou túnel
só o rumo exato
do inferno
há este campo vasto
sem sombra ou posto
a luz é de rachar
crânios ao meio-sonho
girando as rotatórias
em volta dos umbigos
do mato, um plano
sem guia
para cegos
Lara Amaral
Poeminha para um diálogo com a Roberta
Às vezes me dói um silêncio
Tão antigo e indelével
Feito aquela marca de batom
Que me deixaste na face
Rubro que não sangra
Mas que esmaga
Assis Freitas
*****************
O silêncio que devora a noite
é o mesmo que me come o coração,
sem preliminares.
Feito de estocadas,
golpes,
galopes surdos.
O silêncio
é um homem bruto
cuja fome esqueceu de gemer.
Vara pelas horas,
equídeo e solitário,
desmembrando-me.
Arranca, a pancadas,
um uivo negro, abortado
de caminhos que ele mutilou.
Roberta Tostes Daniel
Tão antigo e indelével
Feito aquela marca de batom
Que me deixaste na face
Rubro que não sangra
Mas que esmaga
Assis Freitas
*****************
O silêncio que devora a noite
é o mesmo que me come o coração,
sem preliminares.
Feito de estocadas,
golpes,
galopes surdos.
O silêncio
é um homem bruto
cuja fome esqueceu de gemer.
Vara pelas horas,
equídeo e solitário,
desmembrando-me.
Arranca, a pancadas,
um uivo negro, abortado
de caminhos que ele mutilou.
Roberta Tostes Daniel
Poeminha para um diálogo com Akira
Nada posso
Mas insisto
Vivo atalhos
Descaminhos
Sinto muito
Mas sigo
Assis Freitas
meu caminho
sigo o meu caminho
é mais forte que eu
então apenas sigo
Akira Yamasaki
Mas insisto
Vivo atalhos
Descaminhos
Sinto muito
Mas sigo
Assis Freitas
meu caminho
sigo o meu caminho
é mais forte que eu
então apenas sigo
Akira Yamasaki
sexta-feira, outubro 04, 2013
Tudo que é leve sedimenta-se no ar
És de mim este amor
A seara do inominável
Desígnios de nuvens
Orvalho de bem querer
Acordas os bemóis
Sopras ventanias
Pele do impoluto
Sede em absoluto
És de mim este amor
Fruto tão líquido
Semente ou sumo
Paradoxo do absurdo
quinta-feira, outubro 03, 2013
Balada de sereia em espera de pássaro
A raiz úmida do teu lábio
Floresce meu corpo
E vou sorvendo lento
Este hálito que me corta
Tu me inventas ilhas
Desenha girassóis
Me abre os poros
Portais de ventania
Teus dedos em cardume
Me abocanham de carícia
Fico eterno em naufrágio
Como fotografia de afogado
quarta-feira, outubro 02, 2013
Poema já antigo (à moda de Álvaro de Campos)
para Nina Rizzi
Olha Nina, quando eu morrer não digas nada
Medita em silêncio uns versos
E pensas que se pudéssemos
Teríamos enlaçado as mãos
Depois vai dar a notícia aos estranhos
Que julgavam que eu seria grande
Embora saibas que nada existe de dor
A carne, acredito, ainda é triste
E o desassossego é o meu perfume
Olha Nina, quando eu morrer não digas nada
Medita em silêncio uns versos
E pensas que se pudéssemos
Teríamos enlaçado as mãos
Depois vai dar a notícia aos estranhos
Que julgavam que eu seria grande
Embora saibas que nada existe de dor
A carne, acredito, ainda é triste
E o desassossego é o meu perfume
sábado, setembro 28, 2013
Ária esguia para fogueira e ventania
Quero de ti mil amanhãs
O silvo que desprendes no olhar
Talvez o regaço dos lábios
O encontro de tantos silêncios
Mas alças a tua mão inquieta
Na avalanche de céu e nuvem
E deixas que o rubro incendeie
O vazio que permeia a distância
Desta nossa infância impossível
quinta-feira, setembro 26, 2013
3 poemas
Um outro epitáfio, bem outro
O que fui verdadeiramente
Não interessa
Ainda vão me marcar
Por causa de um verso
Que não pude evitar
Poema para dois tragos e um
cigarro
Quero vícios
Que me
Levem
À morte
Pois a sorte
Eu dei a deus
Lembrando o verde de Leminski
Ocupei a grama
Céu tão bacana
Viva Copacabana
segunda-feira, setembro 23, 2013
Ária triste para a intimidade do vazio
ao poeta Antonio Ramos Rosa
Já era primavera quando tu partiste
Tão inadiável em ausência
E eu que vivo de esperas espontâneas
Preciso ser correspondido em silêncios
domingo, setembro 22, 2013
fragmento
eu queria copiar de mim
alguns pretéritos
esta minha insuficiência
do essencial
soprar iscas para o nada
sexta-feira, setembro 20, 2013
Para o poema em forma de oração
É necessário que eu peça
escusas
Porque invejo a palavra
luzidia
Tenho ganas pela aliteração
Suspiro pausas, zeugma,
elipse
Para o verso zunir este há de
ser
Em síntese ou sínquise
quinta-feira, setembro 19, 2013
Esboço para outro nascimento de Vênus
De qual mistério se veste
A luminescência da tua pele
Com quantas sílabas sopram
Os eflúvios destes lábios
De que sonora paisagem
Queima a penugem do braço
Para onde finda teu espasmo
Neste olhar de ninfa ao acaso
terça-feira, setembro 17, 2013
Uma outra ciranda para ninfa e lilases
Quisera eu entender sobre a
magia
Quiçá versar sobre ninhos
Nada me cabe nesta andança de
Espantalho espantado em
arrebóis
Meus folguedos são tristes
labaredas
Este insone silêncio sem
significado
A luz que não se ordena na
retina
Fragmentos de ausência,
vazios
O caos que me insufla ao nada
sábado, setembro 14, 2013
Enquanto fio zeloso a intempérie do olhar
Não me importa mais nada
Tenho silêncio e ausência
Suficientes para eternidade
sexta-feira, setembro 13, 2013
Receita para provocar dessemelhanças
Não eras pássaro
Não, não eras
Mas invitava asas
E sorvia rosas
Silêncio de orvalho
Inapreensível voo
quinta-feira, setembro 12, 2013
Canção para zelo e rude descaminho
Quando é que vai acontecer
Na saliência deste espanto
A constatação da ausência:
A delicadeza do que não seremos
quarta-feira, setembro 11, 2013
Este diário de melancolia é o meu corpo
Sonho com dentes e eles doem
São tristes os caninos
E não há flores nos molares
Tudo me parte
Arde-me a mandíbula
Sob o fervor dos incisivos
terça-feira, setembro 10, 2013
1 máscara e outros eus
toda vez que eu passo por ela
me destila silêncio pelas
mãos
os olhos ficam empedernidos
caminho em passos de nuvem
ela me furta todas as
palavras
e deixa o abandono nos lábios
sinto-me oblíquo como sonho
segunda-feira, setembro 09, 2013
No fundo da noite o poema ladra dentro de mim
Eu perdi um amigo dobrando a esquina
Isso faz muito tempo, mas arranha
No meu peito como um coice
Ele gostava de soprar nuvens
Em novelos esfumaçados
E se oferecia em repasto
Ao zelo dos olhares
De tantas viagens
Paraísos artificiais em ondina
Meninas, livros, vinis
O porto, o cristo, a barra
Na saliência de rosto e sal
Eu perdi um amigo dobrando a esquina
Ainda com o trago e o copo
Engasgados de silêncio e ausência
No meu peito como um coice
Um cheiro de nuvem talvez
Coisas assim escritas podem
Fazer sentido, a existência não
domingo, setembro 08, 2013
Ária pequenina para nomear espantos
p/ Lara
Por ora nado em brisas
Neste quadro de cor
Mais bela
Desperta-me este recato
De solar realeza
A ilha do olho dela
sexta-feira, setembro 06, 2013
Partita de louvor ao teu feitio castanho
Na clara manhã de vidro
Tudo é silêncio e olvido
Há incenso nos sentidos
Este olhar de porto vívido
Rogo tua mão ainda lívido
Ao sabor do simples asilo
O saber em sede e faminto
Louvar o nada em que levito
terça-feira, setembro 03, 2013
Ciranda de infância e inconfidência
Desses sonhos mais felizes
Que não tivemos
Quero uma metáfora indócil
Quem sabe o musgo da janela
O convencimento da solidão
A tentativa inútil do
silêncio
Este mar sem profundidade
O esplendor que nada reflete
O veludo de uma carne
A fugitiva lâmina do vento
O efêmero do acontecido
E o cansaço do que nunca virá
sexta-feira, agosto 30, 2013
Por que você escreve poesia?
(à guisa de um metaplagio de Orhan Pamuk)
Porque eu cresci lendo poesia
Porque não consigo me relacionar com o mundo de
outra maneira
Porque acho encantador enfeitiçar palavras
Porque um dia me disseram que eu era poeta
Por que eu acredito que posso ser poeta
Porque meus amigos são poetas
Porque o verso atiça a minha curiosidade
Porque a curiosidade me leva às palavras
Porque o mundo pode respirar melhor
Porque eu posso respirar melhor
Porque eu me imponho leituras
Porque eu me repito e a poesia aceita
Porque é uma forma de amar as pessoas
Porque é uma forma de eu atrair o amor
Porque um poema me fez descobrir o amor
Porque há um vazio que não me cabe
Porque há uma ausência a se descortinar
Porque o silêncio soluça com o verbo
Porque o verbo é a minha carne que arde
quinta-feira, agosto 29, 2013
Litania para a graça de uma Gioconda
Eu vislumbro o tygre de blake
Num acorde furioso de beethoven
A solidão é mesmo um coice
Atiça todos os raios de rimbaud
Ainda não deu meia-noite e já
Me rugem fantasmas da aurora
Só teu rosto me salva do degredo
Do abismo aberto de mim mesmo
terça-feira, agosto 27, 2013
todos os rostos, o rosto
eu procuraria na rota do vento
a silhueta mais sutil do
pássaro
entrementes devoraria a saliva
na sílaba luminosa de uns lábios
eu procuraria em todos rostos
atormentado, atônito, aturdido
com esta balbúrdia de olhares
do ser que navega para o nada
eu invocaria o silêncio mais
impuro
para compor a ausência
longínqua
até reverdecer todas as
palavras
no cardume de nuvens desta
tarde
domingo, agosto 25, 2013
Sobre inércias, inutilidades e afins
Não te negues aos silêncios
A este ar que atiça a face
Que cuido das ausências
Deste incessante partir
Que me queima os olhos
sexta-feira, agosto 23, 2013
Um poeminha para medrar reticências
p/ Laryssa Cagliato
Eu não sei se te pensaria num
poema
Mergulho, olhos bruscos,
precipício
Sei apenas que estou sozinho
na tua pele
Como uma sílaba atônita e desavisada
Com essa urgência de me
nutrir do singular
quinta-feira, agosto 22, 2013
Poema de intentos para descortinar altiplanos
Eu hoje acordei leve para o
espanto
Cultivo arrebóis, levanto pálpebras
Vejo a minha sombra numa
pedra
Viajo entre afagos de brilho
líquido
Sinto a ternura que me arde
as mãos
Estou excessivo, imediato, cromático
O caminho me persegue de
vontades
Tão ardente me ruge o mar de
sílabas
terça-feira, agosto 20, 2013
Carrego esta perdição na palavra
Sou poeta impróprio para consumo
Meus poemas são pedaços de pele
Que se queimam em busca de alforria
segunda-feira, agosto 19, 2013
Uma ária de amanhecimento em elevação
Desperto para alimentar os
leões
Com meu alforje de orvalhos
Tão famintos eles de
silêncios
Imploram a ausência nos olhos
Desperto para alimentar os
leões
Enquanto cultivas pássaros no
arrebol
sexta-feira, agosto 16, 2013
Canção líquida para afago de ninfa
Eu sempre pensei em fazer um
poema
Onde coubessem ciprestes
Ou algumas plantas pteridófitas
Um poema com raiz, caule e
folhas
Poema que ficasse ornado no
corpo
Na marca úmida de um lábio
Como o protalo gerando
gametas
quinta-feira, agosto 15, 2013
Epigrama para oferenda votiva
Comungo esta inutilidade da
palavra
Este exercício frágil do amor
Cada sílaba que se que-bra:
Da ausência que arde
Na carne lacerada
terça-feira, agosto 13, 2013
Poema para janela que se tingiu de violeta
Não fosse de ti este áspero
rio
Que deságua em minhas veias
A sombra da terra que
emoldura
De emblemas os meus passos
Não fosse de ti o rubro da mão
Este acolhimento de vento e
brisa
O incêndio transparente da
face
Este augúrio que trazes no
lábio
Não fosse de ti o singelo do mar
O desavisado cursar das velas
Esta geografia de
circunstâncias
A cartografia íntima de um
corpo
segunda-feira, agosto 12, 2013
A última lágrima de Capitu
Desde o tempo em que não
existias
Já me eras a inalcançável
estrela
Aquele rasgo no céu
Tu bem sabes que não existias
Nem mesmo no poema
Como uma palavra condenada
Também não me vinhas
Desde o tempo em que não
existias
Contemplo aquele quadro de
Monet
Pejado de nenúfares
Desde o tempo em que não
existias
Compartilho este destino de
águas
Aprisionadas em faces de
pedra
sábado, agosto 10, 2013
Uma balada gris para tantos descaminhos
Eu nunca soube que falavas de mim
Entre os teus silêncios de ninfa
Eu nunca soube
Nem mesmo quando escovavas
Sílabas em teus cabelos
Eu nunca soube
E nesta minha ignorância de te amar
Eu nunca soube
Que prendias o ar nas retinas
E soletravas um alfabeto de distâncias
Eu nunca soube
quinta-feira, agosto 08, 2013
terça-feira, agosto 06, 2013
Fragmento para o ressoar de transparências
O rumor de uma palavra me desperta
Acordo viço
Numa terna alegria de desconhecimento
Acordo viço
Numa terna alegria de desconhecimento
domingo, agosto 04, 2013
Antipoema para cerzir ventanias
Não quero efusividades
Nem agasalho para minha dor
Só os gatos são pardos
E transitam insones na aurora
Não quero efusividades
São tantas as febres deste parto
Só os gatos são pardos
Não me atire este sorriso de Gioconda
Que desliza entre arrebóis
São meus pés que cultivam tua sede
Mas um dia eu me morro sem mágoa
Convicto da minha inexistência
sexta-feira, agosto 02, 2013
O homem que tramava epifanias
Magritte não pintava pássaros
Ele apenas queria elevar as coisas
Ao status de asas:
Compunha cores em rotas de elevação
Ele apenas queria elevar as coisas
Ao status de asas:
Compunha cores em rotas de elevação
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