segunda-feira, setembro 09, 2013

No fundo da noite o poema ladra dentro de mim

Eu perdi um amigo dobrando a esquina
Isso faz muito tempo, mas arranha
No meu peito como um coice
Ele gostava de soprar nuvens
Em novelos esfumaçados
E se oferecia em repasto
Ao zelo dos olhares
De tantas viagens
Paraísos artificiais em ondina
Meninas, livros, vinis
O porto, o cristo, a barra
Na saliência de rosto e sal
Eu perdi um amigo dobrando a esquina
Ainda com o trago e o copo
Engasgados de silêncio e ausência
No meu peito como um coice
Um cheiro de nuvem talvez
Coisas assim escritas podem
Fazer sentido, a existência não

5 comentários:

Tania regina Contreiras disse...

E esse tempo do sentir nada tem a ver com o outro rígido tempo. Faz tempo, mas foi hoje. E sei que a dor já vem suavizada em verso, mais ainda queima.

Beijos, querido!

Lídia Borges disse...


Pungente!...

"Coisas assim escritas" podem constituir-se existência.

Um beijo

Índigo disse...

La existencia, sí, sí. SÍ. También, como las nubes.

José Carlos Sant Anna disse...

Aqui está um verdadeiro exercício de depuração pela palavra...
Abraço, poeta,

dade amorim disse...

Tão verdadeiro, tão natural!

Beijo, Assis.