quarta-feira, abril 09, 2014

Metaplágio sintético para outra serenata

Rua
Morta

Estrela
Torta

Ninguém
Na porta

terça-feira, março 25, 2014

Ensaio para os rudimentos da escrita

Aquilo que o poeta canta bem baixinho
Em segredo de confessionário
É só uma corruíra a beliscar o peito

sábado, março 15, 2014

Ensaio para o aquoso e o vítreo

No olho do poeta corre o rio
Deságua a estrela
Florescem pétalas e astros
Pululam divindades

No olho do poeta escorre o fio
Cresce a lágrima
Do que era, do que é findo
Em todo o infinito

No olho do poeta
Só no olho do poeta
a vida brilha ressuscitada

sexta-feira, março 14, 2014

Um canto de oferenda ao meu chão

Bahia é mar, é sertão.
Raso, profundo, largo.
Prato que se respira.
Bahia é a entidade,
que paira sobre as águas, inunda.
Bahia é Lucas da Feira, escravo fugitivo,
mestre das emboscadas.
Bahia é canto de sereia em dia de mar.
Trovão que rebrilha na Serra de São de José,
no bode de Uauá.
Bahia é vaqueiro encourado, caatinga
do coração, chão e desterro.
Bahia é a ponte que cruza destinos,
entroncamento de todas emoções.
Bahia é festa e pranto,
Bahia é o manto tricolor, é o Flu de Feira,
o Touro do Sertão.
Bahia é o engasgo da língua, o encosta, o encosto.
O ralar das coxas quentes, a praça Castro Alves
que é o do povo, como o céu é a amplidão.
Bahia é axé, oxente, gente.
Bahia é o arco-íris de uma multidão.

sábado, março 01, 2014

p.s.

ela lia baudelaire
e curtia o bolero
de ravel

ele vidrado
na calcinha
valisère

poeminha de alvíssaras

no quintal da casa
que eu comprei
financiada pelo BNH
tem um céu de prata
quando eu morrer
ela será quitada
e o céu de prata
será minha pátria

segunda-feira, fevereiro 24, 2014

p.s.

si yo no la tengo
qué puedo hacer
ninguna palabra
abrirá la ventana
para oír sus ojos

p.s.

um pássaro pousado na esquina
nada me ensina
mas eu insisto em fitá-lo

quarta-feira, fevereiro 19, 2014

uma ária para acidentes premeditados

talvez ela me esqueça
na curva do poema
e nunca mais deixe sinais
como uma pata de iguana

eu ficarei na solidão da areia
catalogando esta imensidão

enquanto perambulo em preâmbulo
o tempo arremata o meu epílogo