segunda-feira, abril 15, 2013

Porque o coração é doce quando sangra


Inseto incerto no teu passo
Casulo arbitrário
Vagueio círculo absurdo

Morrem-me em ti: as mãos
Agarro-me em ausências
Sou todo afagos neste chão

sábado, abril 13, 2013

Quadra à moda antiga para moça de cabelo grená


é tão vento o teu passar
um acalanto tão lento
que eu me desinvento
entre bruma, estrela e luar

sexta-feira, abril 12, 2013

uma prosa esquecida


aquele livro de proust intragável que você me fez ler
aquele por-de-sol na barra
a cerveja no avalanche
o pastel do chinês
aquela sensação que o mundo nos pertencia
e que se perdeu
entre olhos desolados
mãos sem afago
todos aqueles dias
entre estações que não vingaram

quinta-feira, abril 11, 2013

Ária de retorno ao traço de pássaros e peixes


Apenas sei da ilha uma possibilidade
Como remoto amor, ânsia de oásis
O instante árduo em tuas espáduas

O sopro que me conduz em nuvens
Este sal que incide a pele, queima
Tão atroz feito girassol em espanto

terça-feira, abril 09, 2013

Mata-me com o olor dos teus abismos


tramam tuas tardes
que ardem
neste visgo de olhar

seiva de remoto fruto
ilha úmida que viceja

o mar que é um preâmbulo
de tantas sedes

sábado, abril 06, 2013

Nenhuma barca resiste a este rio


estive só
como se nunca
estivesses comigo

sexta-feira, abril 05, 2013

depois do tempo que houve nos ouve a memória


I (o que ouve)

oráculo em silêncio
no branco da página
o poema é só miragem

II (o que houve)

no rasgo da pele
no faro da sede
eu uivo teu nome
com visgo de língua

quinta-feira, abril 04, 2013

por mais que me sejas oração


quando me chamas
acendes o sujeito
insubordinado

quarta-feira, abril 03, 2013

Nenhuma margem abarca este rio


Mais fundo seria se eu não soubesse
Se não me atravessasses
Com este semblante de monalisa

terça-feira, abril 02, 2013

breviário para uma etimologia das sombras


a solidão é um campo de origamis
imersão para mil grous
tempo de dobrar e desdobrar-se

segunda-feira, abril 01, 2013

fragmento pungente


Éramos ela e eu
Passou o tempo
Era ela, era eu

segunda-feira, março 25, 2013

Ensaio sobre a morfologia do rubro e do coral


Você não entendeu meu gesto
Apontava aquela nuvem em sorriso
O mar que despontava nos dedos
Você não via as pétalas da manhã
Eu sei que caminhávamos destroços
Mas é assim o amor:
Esta sina de descrer verdades

domingo, março 24, 2013

divagações em torno de barros


poema é o lugar
onde a incerteza
rompe a caligrafia

sábado, março 23, 2013

fragmento 1962


sou um homem acordado e nu
nenhuma palavra me veste

quinta-feira, março 21, 2013

Fragmento adstringente


Ficou o não dito
Este espanto
Travo definitivo

p.s. “Vem dormir comigo
Não faremos amor, ele nos fará”

Assis Freitas (o fragmento)
Cortázar ( o p.s.)

terça-feira, março 19, 2013

negócio de oportunidade


doo uma plantação de silêncio
para quem quiser cultivar o ócio

domingo, março 17, 2013

fragmentos em múltipla escolha


1 versão

a minha cota de mim eu te doei
agora sou completamente outro

2 versão

minha cota de mim eu já te dei
agora sou estranhamente outro

3 versão

a minha cota de mim já te doei
agora doem em mim os outros

4 versão

minha cota de mim eu já te doei
agora a dor em mim é este outro

sexta-feira, março 15, 2013

poema de atavismo nas retinas


a quase morte:
o silêncio:
o tempo que vaza:
a incompletude:
oráculos nus
recitam em vão

quarta-feira, março 13, 2013

Sonata breve para flor e epifania


A virgem claridade da página
É um acinte à palavra
Resta pois arriscar