árvore da poesia
Para Toda Literatura
sábado, julho 13, 2013
Outra canção para prelúdio e primícias
Prelúdio
A chuva é só um detalhe líquido
A rosa um detalhe rubro
O arrebol um detalhe lúdico
O ocaso um detalhe lúcido
Primícias
Ensandecido, assim, de ausências
Desenho a solidão numa árvore
sexta-feira, julho 12, 2013
Aqueles que éramos então
Deito-me em mortes por tuas mãos
Deleito-me por esta sorte
quinta-feira, julho 11, 2013
Canção para prelúdio e primícias
1. Prelúdio
Quando tu vieres
Sonata, pergaminho
Ou arrebol
Que eu te perceba olhos
Caminho, porto, farol
2.
Primícias
Quando tu vieres
Ária, manuscrito
Ou girassol
Que eu te perceba lábios
Vereda, perdição: só
quarta-feira, julho 10, 2013
Crônica para desenlace repetido
Depois que escreveu o verso
Saiu para comprar cigarros
E nunca mais voltou
Ela nunca quis ler
Aquelas últimas palavras
terça-feira, julho 09, 2013
Fragmento para outros tons
O que havia de textura
Era risco vítreo
A solidão rouge
Invadindo céu tão azul
a partir da foto de Cris de Souza
* ganhei um presente
da Indigo aqui
segunda-feira, julho 08, 2013
Uma ária para deleite de sol na asa
p/ Lelena Terra
Para matizes incandescentes
Pastel, óleo, lápis, grafite
Elevam-se os tons em nuvem
Pátinas, lentes, semoventes
Serenas luzes recorrentes
Indizível que percorre a mente
Transitam pés, pétalas, cores
O que faz do sutil apontamento
O fogo-fátuo do alumbramento
domingo, julho 07, 2013
Fragmento rude
Alguma coisa é silêncio
Todas as outras olvido
sábado, julho 06, 2013
Deixa-me arder em teu ventre
É no silêncio que investigo
A procissão íntima
Para qual me entrego
Nu até o vento assovia
As coisas entardecem mas não findam
Nenhum verso me salva dessa agonia
sexta-feira, julho 05, 2013
Ode à perversidade cartesiana
como lírio aceso na imensidão
confinado ao desígnio
do rubro anseio
poema ou pedra
vapor desperto ou suspenso
de todos os fins me permeio
quinta-feira, julho 04, 2013
Ensaio para ilhas férteis e cruéis silêncios
O poeta rugiu que a carne é triste
Eu sorri em êxtase
Depois queimei todos os livros
Por destino escrevi este epitáfio:
Que a poesia não me deixe vestígios
terça-feira, julho 02, 2013
Porque o silêncio caminha imenso em teus lábios II
ser ou não ser: eis
quisera pois
esquecer o que soo
segunda-feira, julho 01, 2013
caos ótico
para Cris de Souza
o tempo que não possuo
me invade em vácuo
às vezes suo, às vezes águo
domingo, junho 30, 2013
Para os que nasceram sob o signo do incêndio
para Domingos Barroso e Akira Yamasaki
A nudez da pedra será um dia revelada
O sexo dos anjos
A infâmia dos justos
A mudez que blasfema
A lápide e o alicerce da palavra
Sob a cisma das horas
Sob o rasgo dos raios
Como epifania letal
sábado, junho 29, 2013
canto para gnomos e trevo de duende
abrir os olhos
por enquanto
no peito
a estrela vermelha
brinca de encantos
abrir os olhos
cerzir as manhãs
por enquanto
dois girassóis
descansam em rendição
abrir os olhos
por enquanto
há um visgo latente
nos musgos
que me tragam as mãos
sexta-feira, junho 28, 2013
como nuvem em sopro de imensidão
aqui as sílabas respiram
repousa, pois, o silêncio
deixa-me dançar a solidão
quinta-feira, junho 27, 2013
mais do que metades no silvo da relva
tenho fomes imensas
sedes que não cabem
em nenhum deserto
mas os olhos brindam
oásis, uma pasárgada
a euforia de respirar
como o peixe no cio
quarta-feira, junho 26, 2013
Há um poema morto na sala
Estou tão perto do silêncio
Que sinto o cheiro
Todos os cheiros da ausência
*****
Hay un poema muerto en la sala
Estoy tan cerca del silencio
Que siento el olor
Todos los olores de la ausência
Versão da Índigo
segunda-feira, junho 24, 2013
quando enfim curso a mão da ira
vou deixar que este mar siga
o que a nuvem singra
o que a espada vinga
o que o vento castiga
o que a palavra devasta
domingo, junho 23, 2013
o fogo do verbo a nos devorar a carne
não sei se é do sonho que nos escrevem os poemas,
mas eles nos devassam as retinas
à espera de um precipício:
ali onde o mergulho inexiste
a partir do poema
Onírico de Lara Amaral
sábado, junho 22, 2013
poeminha para folguedos astrais
verás que um filho teu
não foge à lua
nem teme uivar até a morte
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