árvore da poesia
Para Toda Literatura
quinta-feira, junho 20, 2013
quase triunfal, quase marítima
minha poesia não é ode
estrofe, antítrofe e epodo
Píndaro ou Estesícoro
minha poesia não é hino
Píticas, Nemeias ou Ístmicas
Alcman ou Anacreonte
minha poesia é o ínfimo
talvez o ócio de Horácio
ou a Lírica de João Mínimo
segunda-feira, junho 17, 2013
quase pele, quase memória
qualquer cor
seja qual for
na cinza que arde
qualquer dor
seja qual for
mas sem alarde
II
Quase cor, quase dor
Qualquer redor
Seja qual for
Que se retrate
Cris de Souza
domingo, junho 16, 2013
fragmento
“Sou uma emoção estrangeira,
Um erro de sonho ido…”
Fernando Pessoa
fragmento a se cumprir
queria tanto um poema
entre duas palavras:
ausência e silêncio
Assis Freitas
sábado, junho 15, 2013
fragmento
dói sempre?
não
só quando estou comigo
sexta-feira, junho 14, 2013
nenhuma alvíssara ascende ao céu
nestes dias incomuns
tudo me transita em febre
espasmo, soslaio
incompreensivelmente
a felicidade
flerta no sinal amarelo
quinta-feira, junho 13, 2013
fragmento para amanhecimentos
eu me apoio em teu corpo
em sutil serenata
és-me tudo: sou nada
quarta-feira, junho 12, 2013
Antipoema para emblema, insígnia, delta e espáduas
Ainda não é o amor
Esta saliência nas retinas
Este fervor inaudível
Esta misteriosa invitação
Esta flauta em pólen
Todas as escalas do silêncio
Ainda não é o amor
-Este líquido canto
Este desconcerto pueril
Esta melancolia em vitral
Ainda não é o amor
- Nem mesmo as lâminas
Que brilham na cerração
Como chamas na pele
Ainda não é o amor
- Nem mesmo o avesso
De alguma coincidência
Nem mesmo o beber de ânsias
Este chão que me é mar
Este meu dormir em ti
Ainda não é amor
domingo, junho 09, 2013
toma-me neste súbito que a palavra irá defenestrar
no teu sexo me escrevo
falo em espasmos
tudo se avulta em línguas
sílabas, salivas, redescobertas
sábado, junho 08, 2013
aquilo tudo sobre os outros poemas que não te escrevi
como uma flor, um silêncio, uma solidão
tenho algas nos calcanhares, velas
corais, conchas
este fundo tão imerso
uma ária de imensidão
quinta-feira, junho 06, 2013
poética
estou tarde
qualquer dia emudeço
nem o amor salvará
o peito apertado
(que algum verso
me absolva de mim)
terça-feira, junho 04, 2013
fragmento para sucessão de espaço sem matéria
por ora nada me abarca
nenhum verso, nenhum corpo
deixai-me com meus lírios
que de vazios estou completo
A Cris me fez uma oferenda linda
aqui
segunda-feira, junho 03, 2013
Revista Pessoa
Poemas meus na
Revista Pessoa
com ilustração de Lelena Terra e curadoria de Luiz Ruffato.
sábado, junho 01, 2013
dicionário de brevidades e alumbramentos
- chuva: sina de líquido no olhar
- lágrima: afago de retinas
- cheiro: incêndio na saliva
- orvalho: estuário de uma sílaba
A Lara Amaral me ofertou uma dádiva preciosa
aqui
fragmento para vertigem e sal
carrego uma ânsia de comer o mar
e nenhum poema me navega
sexta-feira, maio 31, 2013
por ti cometeria os pecados mais singulares III
o que resta de nós são poemas
a casa imersa em sílabas
este céu plácido de silêncios
nenhum, nenhuma
nada mais somos do que não fomos
o que resta de nós são poemas
a escrita impura das ausências
quinta-feira, maio 30, 2013
au loin la mer
vivo este desconhecimento vasto
de mim pouco ou nada sei
mas persigo a rota do girassol
comigo: não sei se consigo
terça-feira, maio 28, 2013
porque o coração queria ser Piva e Orides II
Quando o pássaro acordou
Não havia canto nem voo
No céu a nuvem distraída
Desdenhava as suas asas
segunda-feira, maio 27, 2013
um passarinho pousou sobre mim o seu silêncio
(ando embebido na lágrima de uma ausência)
sexta-feira, maio 24, 2013
por ti cometeria os pecados mais singulares II
eu vou ficar esperando pelo cigarro
pela última estrela
pelo latido aflito dos cães
pelos poemas que não foram escritos
pela caligrafia rasgada de nomes
eu vou ficar esperando
por um nada, um vazio, um caos
até o peito explodir como uma galáxia
quarta-feira, maio 22, 2013
Fragmento desperto para remendo em corda de violão
Teus olhos plangiam
Era assim que te via
Quando noite era dia
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