dói sempre?
não
só quando estou comigo
sábado, junho 15, 2013
sexta-feira, junho 14, 2013
nenhuma alvíssara ascende ao céu
nestes dias incomuns
tudo me transita em febre
espasmo, soslaio
incompreensivelmente
a felicidade
flerta no sinal amarelo
quinta-feira, junho 13, 2013
quarta-feira, junho 12, 2013
Antipoema para emblema, insígnia, delta e espáduas
Ainda não é o amor
Esta saliência nas retinas
Este fervor inaudível
Esta misteriosa invitação
Esta flauta em pólen
Todas as escalas do silêncio
Ainda não é o amor
-Este líquido canto
Este desconcerto pueril
Esta melancolia em vitral
Ainda não é o amor
- Nem mesmo as lâminas
Que brilham na cerração
Como chamas na pele
Ainda não é o amor
- Nem mesmo o avesso
De alguma coincidência
Nem mesmo o beber de ânsias
Este chão que me é mar
Este meu dormir em ti
Ainda não é amor
domingo, junho 09, 2013
toma-me neste súbito que a palavra irá defenestrar
no teu sexo me escrevo
falo em espasmos
tudo se avulta em línguas
sílabas, salivas, redescobertas
sábado, junho 08, 2013
aquilo tudo sobre os outros poemas que não te escrevi
como uma flor, um silêncio, uma
solidão
tenho algas nos calcanhares,
velas
corais, conchas
este fundo tão imerso
uma ária de imensidão
quinta-feira, junho 06, 2013
poética
estou tarde
qualquer dia emudeço
nem o amor salvará
o peito apertado
(que algum verso
me absolva de mim)
terça-feira, junho 04, 2013
fragmento para sucessão de espaço sem matéria
por ora nada me abarca
nenhum verso, nenhum corpo
deixai-me com meus lírios
segunda-feira, junho 03, 2013
Revista Pessoa
Poemas meus na Revista Pessoa com ilustração de Lelena Terra e curadoria de Luiz Ruffato.
sábado, junho 01, 2013
dicionário de brevidades e alumbramentos
- chuva: sina de líquido no
olhar
- lágrima: afago de retinas
- cheiro: incêndio na saliva
sexta-feira, maio 31, 2013
por ti cometeria os pecados mais singulares III
o que resta de nós são poemas
a casa imersa em sílabas
este céu plácido de silêncios
nenhum, nenhuma
nada mais somos do que não
fomos
o que resta de nós são poemas
a escrita impura das ausências
quinta-feira, maio 30, 2013
au loin la mer
vivo este desconhecimento vasto
de mim pouco ou nada sei
mas persigo a rota do girassol
comigo: não sei se consigo
terça-feira, maio 28, 2013
porque o coração queria ser Piva e Orides II
Quando o pássaro acordou
Não havia canto nem voo
No céu a nuvem distraída
Desdenhava as suas asas
segunda-feira, maio 27, 2013
sexta-feira, maio 24, 2013
por ti cometeria os pecados mais singulares II
eu vou ficar esperando pelo
cigarro
pela última estrela
pelo latido aflito dos cães
pelos poemas que não foram
escritos
pela caligrafia rasgada de
nomes
eu vou ficar esperando
por um nada, um vazio, um caos
até o peito explodir como uma
galáxia
quarta-feira, maio 22, 2013
Fragmento desperto para remendo em corda de violão
Teus olhos plangiam
Era assim que te via
Quando noite era dia
terça-feira, maio 21, 2013
Canção para despertar arrebóis
Ela acordou tão plena de
manhãs
Que os olhos não cabiam
De tanto alumbramento
segunda-feira, maio 20, 2013
por ti cometeria os pecados mais singulares
hoje não temo poemas
tenho tua ausência
a me ornar o silêncio
domingo, maio 19, 2013
sonata para uma gioconda em tessitura maior
para Lara Amaral
não te chamarei musa
a delgada saliência da pele
tampouco te nomearei flor
esses equinócios do teu olhar
só sei que de ti habito
equívocos
nenhum sortilégio de algas ou
mapas
apenas a tonta reminiscência do
lilás
esta ausência em chamariz
incendiando o meu peito gris
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