terça-feira, novembro 20, 2012

Porque você me escolheu para eu te amar


Na prateleira do mar havia fogo
Ondas incendiavam as retinas
Era tudo só velas em erupção

segunda-feira, novembro 19, 2012

quase ninho, quase refúgio


quando a palavra pousa
sobre a asa
o passarinho faz sua casa

domingo, novembro 18, 2012

A lenda do reino do nada e a princesa do porém


p/ Léo e Beta que me sopraram a história

Soube-se que havia um reino
Esculpido no etéreo
Na terra que adejava o nada
Ali se pastava em nuvem
Na sobrancelha do pássaro

Neste reino sem pertences
De tudo se avistava
Quando a vista se abismava
O mais fino arrebol
De tanto rubro rebentava

Conta-se que uma vez
Neste reino sem princípio
Buscou-se atônito um rei
Para cumprir o desígnio
De uma terra para habitar

Mas de eflúvios caminhos
Nem sombra, nem vento
Nenhuma luz, nem intento
Fez surgir o corcel alado
Do rei em lume iluminado

Assim por este reino do sem
Mas de quimera transformado
Florava uma seara de sonhos
De corte, castelos e torres
Para a senhora que o sonhara

sábado, novembro 17, 2012

quase sagração, quase mito


os deuses sangram
os meus olhos
quando os fito: aflito



sexta-feira, novembro 16, 2012

três poemas do quase


quase fortuna, quase ventura

noite de fazer poesia
eu acendo a fogueira
bendita seja a alegria
da língua em alforria

****** 
quase aflito, quase afoito

nem sempre o amor espera a palavra
é tudo rápido enquanto saliva a sílaba

*****

quase gênese, quase criação

agozino a palavra dentro do poema
ela não faz ruído, mas exala a alma

quinta-feira, novembro 15, 2012

quase gênese, quase criação


agonizo a palavra dentro do poema
ela não faz ruído, mas exala a alma

quarta-feira, novembro 14, 2012

Quase destino, quase estrada


Já faz tempo que parti
Tão solitário da casca
Eu que nunca crisálida

terça-feira, novembro 13, 2012

É hoje o dia!!!!

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quando o cheiro do amor invade as retinas III


apesar da pele que te visto
me deslumbra a vista nua
quando avisto nuvens tuas

segunda-feira, novembro 12, 2012

quase bach, quase niemeyer


quem constrói catedrais
em acordes
e espirais de som,
aponta uma ponte
e arquiteta mundos


*A partir da postagem da amiga Rejane Martins

domingo, novembro 11, 2012

Canção para chamamento de aves numa praça esquecida em pôr de sol


O menino brincava curioso com o tempo
Apreciando cores, balões, algodão doce
Eu fumava solitário num banco de pedra

Alheio a todas essas vicissitudes
Um sapo fazia descompostura no vento

sábado, novembro 10, 2012

quando o cheiro do amor invade as retinas II


dentro de mim eu cismo
tanta areia no meu peito
e nos olhos há um cisco

sexta-feira, novembro 09, 2012

quando o cheiro do amor invade as retinas

há coisas tão fundas
tão fundas que
não cabem no abismo

quinta-feira, novembro 08, 2012

Todas as mulheres são eternas para o amor


Beijo a mão de deus
Na tua mão
Neste gesto de lucidez
Sou todo chão

E te amo a pupila
Que deslumbra
Fulgura no íntimo
No cerne de um voo

A cada dia que te beijo
Me salvo do naufrágio
Deste mar tão denso
De morrer sem ser amado

quarta-feira, novembro 07, 2012

ária para rostos tardios e violinos apressados


estava tão impregnado de tu
a areia da praia
o sorriso da monalisa
a nuvem da alvorada
o girassol ensimesmado
o asfalto da cidade
a praça ao entardecer
o passo na calçada
o relógio da torre
a palavra que me assalta
estava tão impregnado de tu

terça-feira, novembro 06, 2012

quase vertigem, quase amplidão


o que quero é invenção
eu, você, língua, boca
algazarra, muitas mãos
e este mel que escorre
deleitoso em todos vãos

segunda-feira, novembro 05, 2012

quase rio, quase naufrágio


o rio incita solidário
o orgulho do peixe:
líquido ócio solitário

domingo, novembro 04, 2012

poema para voz, silêncio e pálpebras cansadas


a minha dor é uma memória
rasgando o peito de vazios

sábado, novembro 03, 2012

poema de esquina para quintana


você estava tão só
e eu passarinho
foi quando passou
o poeta no alazão
e gritou:
passarão, passarão
nunca mais o ninho

sexta-feira, novembro 02, 2012

encontrado na lápide de um poeta


aqui jaz o corpo
a poesia agora
voa sem amarra