Eu perdi um amigo dobrando a esquina
Isso faz muito tempo, mas arranha
No meu peito como um coice
Ele gostava de soprar nuvens
Em novelos esfumaçados
E se oferecia em repasto
Ao zelo dos olhares
De tantas viagens
Paraísos artificiais em ondina
Meninas, livros, vinis
O porto, o cristo, a barra
Na saliência de rosto e sal
Eu perdi um amigo dobrando a esquina
Ainda com o trago e o copo
Engasgados de silêncio e ausência
No meu peito como um coice
Um cheiro de nuvem talvez
Coisas assim escritas podem
Fazer sentido, a existência não