sábado, maio 18, 2013

fragmento para uma ausência (esta)


meu pouso é outro lugar
aquele onde não existo
mas descanso meu corpo

2 histórias


1 história ou a outra história

ela era deliciosa e tinha uma tatuagem bem no bumbum. Quando perguntei, ela respondeu: é um beija-frô! eu me apaixonei no ato!


1 história ou quiçá a história

De segunda a quinta ele ficava em casa, quase não nos falávamos. Ele tão solitário. Sexta saía, voltava embriagado e cheio de amor. Sábado ele não voltava para casa. No domingo eu ia buscá-lo perdido com os amigos boêmios. Na segunda a gente recomeçava, A gente sempre recomeçava, tão sozinhos.


1 metaplagio (com o perdão de quintana)


esses que estão aí
povoando de azar meu caminho
eles passarão
eu continuarei solzinho

ouço a voz que vem do silêncio


quando estou contigo
é quando mais
dentro de mim me sinto

sexta-feira, maio 17, 2013

Canção para véspera do branco e das mãos


No dia que cheguei de tantos caminhos
Teu corpo era um porto de alvíssaras
Nós que muito já nos havíamos
Tu me trazias o espelho de várias sílabas
Eu me tinha em avessos de estrelas
Nos nossos passos pousaram pássaros
E nos despimos na interrogação dos dias
Feito sonho cravado na pupila do outono

quarta-feira, maio 15, 2013

fragmento para pequenas solidões II


tem um silêncio
que castiga
os meus olvidos
incessante
incessante

terça-feira, maio 14, 2013

Canção de rio para nuvem e pretérito


O papo era sobre poesia
ela me falava em astrolábios
a gente ali sob o céu
tão juntinhos, tão perto
no vento de uns suspiros
o coração em folguedos
então ela virou-se
a contemplar o horizonte
eu nunca mais esqueci
o perder de olhos no orbe
o espanto naquela silhueta
tinha visgo de eternidade

segunda-feira, maio 13, 2013

Ária de sagração para pedra, flor e água


Não guardo nenhuma intempérie
Nem mesmo raios que ora me habitam
Atravessam a silhueta deste ubíquo olhar
Nada me alcança em tormenta

Venho desde muito longe
Até o mar submergir as palavras
Como uma pedra desnuda
E uma flor sem mágoa

sábado, maio 11, 2013

”La Cabane de Baba-Yaga sur des Pattes de Poule”


do sonho de menino azul e profundo
a vida não poupou trégua
há o sol que incandesce os dias
como um helianto tresloucado
ninguém cabe na própria ausência


sexta-feira, maio 10, 2013

metaplagio de reverência ao soneto de camões


o amor é sede que não cessa
visgo que não aplaca
corre na veia
flui no pensamento
palpita no silêncio
não se recusa o seu intento

quinta-feira, maio 09, 2013

uma palavra vazia aguava a língua


aguardo a esfinge
que trará o enigma
que me tragará 

terça-feira, maio 07, 2013

fragmento para pequenas solidões


tão sozinho que
até ausências
o preenchiam

sábado, maio 04, 2013

Quase teu, quase prometeu


A tua ausência é esta ave
A bicar-me o fígado
Eu renasço em vazios

sexta-feira, maio 03, 2013

Metaplagio para canção da torre mais alta


De tão benfazejo o desejo
Cumpriu-se em caminho azul
De grata delicadeza o incenso
Cobriu-se no céu de imenso


(guardar retinas, pálpebras
a amurada de um sonho
que se desdobra em fímbrias
e beija as vestes da manhã)

Nos olhos nada a esquecer
Nenhuma promessa ou suspiro
Na sede que o corpo empenha
Na paz de um suntuoso retiro

quarta-feira, maio 01, 2013

metaplagio solícito para repouso de imensidão


Nesta noite em que cada noite
é noite dentro da noite.
Invadem-me as estrelas do teu rosto
e dos teus lábios astros a brilhar.
És o orbe, o universo.
O resto é o resto, é o resto dentro da noite,
desta noite que é noite dentro de outra noite.

terça-feira, abril 30, 2013

fragmento com adorno de cera


poesia não é artigo de luxo
tampouco artigo essencial

segunda-feira, abril 29, 2013

Porque o silêncio caminha imenso em teus lábios


fala-me para eu te saber ou te calas
que eu me mudo para o teu silêncio

domingo, abril 28, 2013

bem-aventurado o vento que me povoa


escrevo alguma coisa
não por necessidade
sequer por serventia

em dias de ventania
olhos voam para ti
céleres de companhia

sábado, abril 27, 2013

o que há de chama acende-se em elegante enleio


teu corpo me pede
verdade, verão
pois outonos virão

quinta-feira, abril 25, 2013

você se lembra quando ouvíamos as canções de belchior no toca-fitas do carro


esqueça o amor, ele não nos colore mais
nas noites frias tremem os olhos solitários
e até aquela blusa jeans desbotou no armário


Um livrinho para ser degustado: Poemas de Centauro & outros versos