quinta-feira, janeiro 17, 2013

RETRATO FALADO


DE TI FICOU O GOSTO,
A MÁGOA E A NÓDOA,
O ENGANO E O MEDO.

O ROSTO QUE PERDI
E AINDA ME PERSEGUE
DIANTE DO ESPELHO.

segunda-feira, janeiro 14, 2013

quase plurilíngue, quase plurinominal


paralelo a estes paralelepípedos
eu, pária, patino plural pluriforme
pluríssono, plurívoco, plurilátero

domingo, janeiro 13, 2013

(às vezes até o sangue incendeia)


permita-me do copo o corpo
e o vazio que nele habita
neste eflúvio de incerteza

sexta-feira, janeiro 11, 2013

quase alísio, quase trêmulo


de repente vento e silêncio
e a vida num cansaço
respira apaziguada

terça-feira, janeiro 08, 2013

segunda-feira, janeiro 07, 2013

Da série: poemas absolutamente dispensáveis

I


Ele era só concerto
Enquanto ela
Quebrava na balada

II

breve escreverei um romance
que nunca vai acabar:
será início do princípio ao fim

III

Minha hora é teu umbigo
Abrigo amigo onde fisgo



quinta-feira, janeiro 03, 2013

quarta-feira, janeiro 02, 2013

terça-feira, janeiro 01, 2013

quase lâmina, quase flor


espada, estrelícia
florete, flox
adaga, antúrio
cutelo, cravina
punhal, protea
faca, frésia
estilete, esporinha
navalha, narciso
sabre, sálvia
canivete, celósia

segunda-feira, dezembro 31, 2012

quase trash, quase happy end


O ano está acabando
Seja rápido no gatilho

Ou acontece de vez
Ou nada faz sentido

Seja breve, sintético
Diga sim bem no fim

domingo, dezembro 30, 2012

Poeminha de súbito fôlego


Faltou algo:
Eu não me dei conta
E era imprescindível

sábado, dezembro 29, 2012

Quase tédio, quase tabacaria


Não sou nada
Não quero ser nada
Afora isso
É sincero meu vazio

sexta-feira, dezembro 28, 2012

quase pégaso, quase cérbero


os cavalos do dia rosnam
como os cães do coração
vorazes vorazes vorazes

quinta-feira, dezembro 27, 2012

Poeminha do contra e desencontrado


desencanto, desencanto
ainda não é hoje que
me encontrei
amanhã, talvez,
um raio me parta
e nesse desencontro
sejam fartas
todas as vontades
e saciadas
as exéquias do dia

quarta-feira, dezembro 26, 2012

quase folia, quase chacal


vai ter uma festa
que eu não vou dançar
os sapatos cansados
se debatem
entre os versos
de pés quebrados

terça-feira, dezembro 25, 2012

quase Cortázar, quase Lalo Arias


o poeta escrevia pássaros
antes do fim e do início
eu só escrevo silêncios
nadando em vazios

segunda-feira, dezembro 24, 2012

poeminha só para Nina Rizzi


meu porquinho da índia
morreu de insolação
anarina
não soprava brisa
no sertão

domingo, dezembro 23, 2012

copla de elefante com dentes de marfim


p/ o irmão Domingos Barroso

passarinhos assustados
devoram formiguinhas

ao longe

jacarés de olhos tristes
observam rinocerontes
sob a copa das nuvens

sábado, dezembro 22, 2012

quase textura, quase Luiza



tudo se ergue na vertigem
de uma cor em saudação
até o pássaro respira suave
o canto da asa imantada:
o florir de uma imensidão






Luiza Maciel Nogueira, que ontem completou primaveras

sexta-feira, dezembro 21, 2012

Último poema para antes do fim do mundo


Teus olhos estão nas ruas
de sempre: sem você
Passeiam e se distraem
como sempre: sem você

Voaram distâncias
no mesmo lugar
de sempre: sem você

Eu estou no mesmo lugar
dos teus olhos
de sempre: sem você

Meus olhos sangram
quando eu te vejo:
sem mim em você