segunda-feira, novembro 25, 2013

Deixa-me fazer crescer a noite

Falo neste cego alfabeto de escuras mãos
Enquanto lá fora ruge tempestades
E aqui dentro me inunda tua ausência

múnus

eu te entrego o meu mínimo
o meu breve, meu inexato
a solidão de parcas palavras
eu te entrego o mister
de me tornar diverso

Para que fique claro minha advertência

Quem quiser amor comigo
Saiba que tenho o corpo
Transfigurado de cicatrizes e poemas
E não sei qual dos dois me dói mais


8 comentários:

José Carlos Sant Anna disse...

Posso imitá-lo? De torar essa advertência! Mas o conjunto é antológico. A lírica não pede passagem, ela vem e fica.
Grande abraço,

André Foltran disse...

É inegável teu dom de tatuador.

Um abraço!

Indigo Horizonte disse...

Poema de piel resquebrajado. Piel de poema resquebrajada. Resquebrajado dolor de piel y poema. Y, sin embargo... la piel aún respira y el poema aún late pese a las heridas.

Abrazo grande, Assis.

Lídia Borges disse...


O corpo e a alma indissociáveis do Ser - necessidade e desejo.

Bjs

dade amorim disse...

De torar, como diz vc!

Beijo

Ana Cecilia Romeu disse...

Assis, moço-poeta, bravo!

Dentro e fora: oferendas e doações.

A ausência espreitando o exato momento, aquele breve e único instante.

Cicatrizes e poemas: dentro e fora.

E o impressionismo ditando poemas e sensações: "e não sei qual dos dois me dói mais."

Beijos!

jorge pimenta disse...

cicatrizes e poemas em dor e fulguração - o aroma inconfundível de tudo o que dói. poema perfeito, assis!

abraço!

Elza Fraga disse...

Impressiona como você se apura a cada poema. Quando se pensa que já veio o melhor, o 'por excelência' nos surpreende na curva.
Cada vez mais exato, atingindo nosso interior no alvo.
Alguns poemas seus nos mudam para todo o sempre.
Tal qual você não sei o que me dói mais se feridas cicatrizadas [?] ou poemas paridos.
Tenha um natal de paz junto aos seus afetos.
Abração de Luz.
Parabéns e sucesso.