Nada perdura mais
que o silêncio
desta poesia
e também
o seu oposto.
terça-feira, outubro 21, 2008
sexta-feira, outubro 03, 2008
fantasia para o menestrel que perdeu seu ginete
o campo verde ardia
e cintilivam raios
na balbúrdia da manhã
de repente tudo ficou só
a lança e um cheiro remoto
de amores do amanhã
e cintilivam raios
na balbúrdia da manhã
de repente tudo ficou só
a lança e um cheiro remoto
de amores do amanhã
sábado, setembro 20, 2008
Quando Deus precisar de mim
Hoje me dei conta que Deus pode precisar de mim. Não por uma revelação, uma súbita iluminação ou qualquer coisa transcendental. Mas simplesmente por uma constatação: o fato de eu estar vivo. Senti que Deus podia precisar dos meus olhos, dos meus gestos e das minhas palavras. Foi quando me abateu uma tristeza profunda, avassaladora.
Porque eu não saberia como ajudá-lo. A minha ignorância é tamanha que não consigo me desprender dela. Incorporou-se a mim como uma carapaça. E se eu tentar sair desse dentro em que vivo instalado não me reconheço. O meu existir deixa de ter sentido.
Estou tão próximo de mim que não posso me enxergar por completo. E às vezes, o que é paradoxal, contento-me com essa aparência que me forjei. Mas hoje senti que Deus podia precisar de mim e eu nada conheço dessas missões. Tudo o que conheço são caminhos desolados, paisagens remotas de homens sozinhos. A minha fome, a minha sede, a minha angústia. Será que Deus, na sua infinita misericórdia, vai entender isso quando precisar de mim.
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