sexta-feira, outubro 05, 2012

canto agônico no jardim do Hades


o homem que te amava morreu
foi para o mar, atirou-se nuvens
fez trilho e trem, faca nos olhos
lamina no pulso, flor no pulmão
persignou disparo, cancro raro
pó e cicuta, arsênico e cianeto
serpente do Nilo, corda de forca
invadiu sinal, perdeu o elevador
flutuou na ponte, imolou serrote
ardeu o coração, bala na fronte
espera rijo a nau do Aqueronte

10 comentários:

Lídia Borges disse...


Pobre dele, "rio do infortúnio" a caminho do nada.

Um beijo

Elza Fraga disse...

Demais! Muitas mortes num mesmo ato de amar? Ou num mesmo homem? Bom que fica o questionamento caraminholando a cabeça de gente que busca o "por trás" do texto, rsrs, belo poema, querido. Abração de Luz procê.

Tania regina Contreiras disse...


Belíssimo poema! Título também arrebatador. Senti-me tão íntima desse eu poético que o mirei profundamente nos olhos e lhe fiz uma canção silenciosa.

Beijos, querido!

Everson Russo disse...

Forte e intenso...abraços de bom final de semana.

Vais disse...

agoniante

beijos

Daniela Delias disse...

Que ritmo, que intensidade...que lindo!

Bjo!

Ingrid disse...

uau!.. perfeição na dor e no tom..
beijos Poeta.

dade amorim disse...

Agonia em ritmo e dores.

Bj bj.

LauraAlberto disse...

ah Assis...

beijo

Karinne Santiago disse...

algumas partidas são bem vindas...