quarta-feira, setembro 19, 2012

Diálogos poéticos IV


Ária de providência para sopro de comunhão

Eu não sei como nascem os anjos
Mas acredito em epifanias
Na raiz de quimeras, alvoradas
Na saliência do silêncio
No movediço das palavras

Eu não sei como nascem os anjos
Nem mesmo sei destes espinhos
Das laminas afiadas em um corpo
Só sei do rasgo, do soluço, do grito
Do verbo que não nomeia, mas urge

inspirada neste poema
de Leonardo B. Leonardo

Um Anjo Nasce



Em certas manhãs que na medula
dum espinho
na água e no sal,
no linho
remendado no sopro das cinzas

revolvo do chão
como se fosse corpo,
o canto da terra
e então um anjo nasce.

Em certas manhãs 
e apesar das águas abruptas, tão calmas
como palavras
da palavra, da raiz o saliente silêncio
primeira comunhão

antes que se faça azul 
o dia coração
branco ou negro, cinza rosa velho baço,
devolvo insignificante, o corpo
ao nome que me já não sei

e ao mundo, e no mundo
quer eu queira, quer não
um anjo nasce.


8 comentários:

Eurico disse...

Belíssimo, belíssimos!

Abç fraterno.

dade amorim disse...

Doi poemas deliciosos e belos, Assis.

Beijos aos dois.

Lau Milesi disse...

Belíssimos, poeta Assis. Belo também seu gesto em divulgar os blogs de seus amigos.Excelentes, por sinal.
Há algum tempo fiz isso no meu blog e dei o título de "Assalto a blogs". Aliás, um dia desses, roubaram/plagiaram esse meu título. Coisas de pequenos do mundo digital.

Um beijo, poeta Assis,e parabéns!!!

E.T. ainda hei de levar um poema seu pro meu blog...:)

Tania regina Contreiras disse...

E como nascem os poetas? De onde vieste, ò poeta de palavras pulsantes? Te ler é sempre um instante de renovação.
Beijos,

Joelma B. disse...

comungar de encantamento é tão bom!!

beijo, Assis!

Lara Amaral disse...

Maravilha, Assis!

Ah, e ao lado do querido Leo, doce poeta!

Beijos.

Everson Russo disse...

Como nascem nem importa,,,que eles tragam paz e amor...abraços...

vieira calado disse...

Gostei do poema, sim senhor!

Saudações minhas!