terça-feira, junho 23, 2015
sexta-feira, fevereiro 20, 2015
uma saudade gris para amores efêmeros
nas tortas avenidas
do meu corpo
deambula este
olor de brevidades
de tudo
quanto eu tive
quase nada ficou
a não ser
este florir repentino
do silêncio
de tantas ausências
pérola aos porcos
um galo sozinho não tece uma manhã
assim como
uma andorinha só não faz verão
assim como
provisoriamente não cantaremos o amor
assim como
a casa é acolhedora, os livros poucos
assim como
eu encontro em mim mesmo uma espécie de
abril
assim como
eu canto porque o instante existe
assim eu quereria meu último poema
domingo, janeiro 18, 2015
como atravessar o deserto em seis lições
I
areia
no mar é alumbramento
no
deserto ajuntamento
no
olho afogamento
II
o
vento que me corta a pele
incide
contra o tempo
arde
no pensamento
III
árido
o poema
me
assola
a
íris ao extremo
IV
uma
ilusão de vidro
me
corta a retina
miragem
repentina
V
um
camelo efêmero
vagueia
sólido
na
luz da imensidão
VI
o
tuareg rumina um oásis
para
acender o pôr-do-sol
que
no lábio se evapora
quarta-feira, outubro 01, 2014
p.s.
quase nunca é um poema
mas faço da palavra liturgia
e trêmulo perambulo alegorias
adormeço em vigília da sintaxe
quase nunca é um poema
mas se um dia for
ofereço-vos numa consoada
domingo, setembro 28, 2014
Amig@s, estou participando de um concurso de poesia com votação popular. O poema é Ensaio para o jardim dos versos que se bifurcam. Para participar acessem o link abaixo e cliquem, no final da página, em Vote aqui na sua poesia favorita, então surgirão as opções. Grato desde já, abraços. Eis o poema:
Ensaio para o jardim dos versos que se bifurcam
a Jorge Luis Borges
que singular mistério terá sido este
cujo sonho é poço e pêndulo
lâminas afiadas, tigres, labirintos
que estranha linhagem de chamas
são estes mapas, bússolas, rios
neste findar-se em lágrima e cristal
que rigorosa complexidade
terá traçado a linguagem, que
dela o acaso não pode prescindir
que infinito terá na areia e no livro
na catequese do espírito e da treva
neste duplo ausentar-se em sonho
que pródigo terá a sua Ítaca revisitada
os fios de Penélope a lhe dourarem
o semblante na confluência do ocaso
http://www.portaldoservidor.ba.gov.br/noticias/valorizacao-do-servidor/divulgados-os-resultados-do-festival-de-musica-e-concurso-literario
Ensaio para o jardim dos versos que se bifurcam
a Jorge Luis Borges
que singular mistério terá sido este
cujo sonho é poço e pêndulo
lâminas afiadas, tigres, labirintos
que estranha linhagem de chamas
são estes mapas, bússolas, rios
neste findar-se em lágrima e cristal
que rigorosa complexidade
terá traçado a linguagem, que
dela o acaso não pode prescindir
que infinito terá na areia e no livro
na catequese do espírito e da treva
neste duplo ausentar-se em sonho
que pródigo terá a sua Ítaca revisitada
os fios de Penélope a lhe dourarem
o semblante na confluência do ocaso
http://www.portaldoservidor.ba.gov.br/noticias/valorizacao-do-servidor/divulgados-os-resultados-do-festival-de-musica-e-concurso-literario
segunda-feira, setembro 22, 2014
um desconcerto n’alma
ando assim, assim
não ousaria adjetivos
o tempo me interroga
e eu fico em silêncio
apenas cumpro a poesia
quinta-feira, julho 31, 2014
Dez coisas a fazer antes do amor induzir ao caos
assistir um filme de truffaut
recolher a sombra do gato
dourar as pupilas da aurora
incrustar desígnios na pedra
orvalhar o silêncio da árvore
ouvir aquela canção do roberto
pousar interstício na nuvem
desvanecer a rotina dos rios
escolher outra anacardiaceae
indagar a etimologia do vento
segunda-feira, julho 14, 2014
quinta-feira, julho 03, 2014
Carta de doação à mercê do vosso esmero II
Posto que há um tempo
Em que teus olhos
Fluem como rio
Nos líquidos meus
Posto que neste enlevo
Como que aturdido
Fito a imensidão
Em dossel e desatino
Cumpro inteirar o mister
De deitar em ti o riso
E entre teus auspícios
Vicejar em precipícios
terça-feira, julho 01, 2014
teu olhar em amsterdã
depois do breakfast
nos reunimos em olhares
faiscavam salivas
era tudo anunciação
eu tive que me
despedir da manhã
enquanto miravas o sol
a solidão de esperar a viagem
me entorpecia os passos
eu queria uma gare tranquila
para ancorar o destino
mas tive que partir
com teu olhar em amsterdãterça-feira, junho 24, 2014
quarta-feira, junho 18, 2014
sexta-feira, junho 13, 2014
Poeminha para rouxinol enamorado
Se de ti me invitas
A solene prece
Deste teu viço
Acordo cego
Brilho vítreo
Do chão ascende
Olor e visgo
Teu corpo diviso
A solene prece
Deste teu viço
Acordo cego
Brilho vítreo
Do chão ascende
Olor e visgo
Teu corpo diviso
segunda-feira, junho 09, 2014
Ária de anunciação para o cortejo do silêncio
eu sei que há uma escada
que é preciso trilhar
em cujo vórtice
os passos serão somente
o princípio do inexato
tu não virás em sonho
mas hei de esculpir
o rosto sereno
de todos os abismos
então ficarei dentro
neste etéreo estar
para onde convergem
os desígnios silentes
da aurora nos teus olhos
vídeo-poema para o Desafio 100 da querida Tania Contreiras
que é preciso trilhar
em cujo vórtice
os passos serão somente
o princípio do inexato
tu não virás em sonho
mas hei de esculpir
o rosto sereno
de todos os abismos
então ficarei dentro
neste etéreo estar
para onde convergem
os desígnios silentes
da aurora nos teus olhos
vídeo-poema para o Desafio 100 da querida Tania Contreiras
quarta-feira, maio 21, 2014
Ária para uma fotografia do infinito
Anda estou perto de ti
Respirando o silêncio
De algumas palavras
Como se a única pátria
Deste rosto pálido
Fosse expressão do nada
domingo, maio 11, 2014
NOTA DE ESCLARECIMENTO
Cumpro informar que a poesia consumiu meu corpo,
minha alma e toda minha ânsia de mar.
A poesia fez dos meus gestos uma seara de abandono,
instalou o caos de todas as primícias verbais.
A poesia comeu o sentimento que eu me tinha
e deu aos meus olhos este esquecimento de ave.
terça-feira, abril 22, 2014
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