domingo, setembro 28, 2014

Amig@s, estou participando de um concurso de poesia com votação popular. O poema é Ensaio para o jardim dos versos que se bifurcam. Para participar acessem o link abaixo e cliquem, no final da página, em Vote aqui na sua poesia favorita, então surgirão as opções. Grato desde já, abraços. Eis o poema:

Ensaio para o jardim dos versos que se bifurcam 
a Jorge Luis Borges 

que singular mistério terá sido este 
cujo sonho é poço e pêndulo 
lâminas afiadas, tigres, labirintos 

que estranha linhagem de chamas
são estes mapas, bússolas, rios
neste findar-se em lágrima e cristal

que rigorosa complexidade
terá traçado a linguagem, que
dela o acaso não pode prescindir

que infinito terá na areia e no livro
na catequese do espírito e da treva
neste duplo ausentar-se em sonho

que pródigo terá a sua Ítaca revisitada
os fios de Penélope a lhe dourarem
o semblante na confluência do ocaso 


http://www.portaldoservidor.ba.gov.br/noticias/valorizacao-do-servidor/divulgados-os-resultados-do-festival-de-musica-e-concurso-literario

segunda-feira, setembro 22, 2014

um desconcerto n’alma

ando assim, assim
não ousaria adjetivos
o tempo me interroga
e eu fico em silêncio
apenas cumpro a poesia

quinta-feira, julho 31, 2014

Dez coisas a fazer antes do amor induzir ao caos

assistir um filme de truffaut
recolher a sombra do gato
dourar as pupilas da aurora
incrustar desígnios na pedra
orvalhar o silêncio da árvore
ouvir aquela canção do roberto
pousar interstício na nuvem
desvanecer a rotina dos rios
escolher outra anacardiaceae
indagar a etimologia do vento

segunda-feira, julho 14, 2014

quinta-feira, julho 03, 2014

Carta de doação à mercê do vosso esmero II

Posto que há um tempo
Em que teus olhos
Fluem como rio
Nos líquidos meus

Posto que neste enlevo
Como que aturdido
Fito a imensidão
Em dossel e desatino

Cumpro inteirar o mister
De deitar em ti o riso
E entre teus auspícios
Vicejar em precipícios


terça-feira, julho 01, 2014

teu olhar em amsterdã

depois do breakfast
nos reunimos em olhares
faiscavam salivas
era tudo anunciação
eu tive que me
despedir da manhã
enquanto miravas o sol
a solidão de esperar a viagem
me entorpecia os passos
eu queria uma gare tranquila
para ancorar o destino
mas tive que partir
com teu olhar em amsterdã




terça-feira, junho 24, 2014

quarta-feira, junho 18, 2014

sexta-feira, junho 13, 2014

Poeminha para rouxinol enamorado

Se de ti me invitas
A solene prece
Deste teu viço

Acordo cego
Brilho vítreo

Do chão ascende
Olor e visgo
Teu corpo diviso

segunda-feira, junho 09, 2014

Ária de anunciação para o cortejo do silêncio

eu sei que há uma escada
que é preciso trilhar
em cujo vórtice
os passos serão somente
o princípio do inexato

tu não virás em sonho
mas hei de esculpir
o rosto sereno
de todos os abismos

então ficarei dentro
neste etéreo estar
para onde convergem
os desígnios silentes
da aurora nos teus olhos 


vídeo-poema para o Desafio 100 da querida Tania Contreiras


quarta-feira, maio 21, 2014

Ária para uma fotografia do infinito

Anda estou perto de ti
Respirando o silêncio
De algumas palavras

Como se a única pátria
Deste rosto pálido
Fosse expressão do nada

domingo, maio 11, 2014

NOTA DE ESCLARECIMENTO

Cumpro informar que a poesia consumiu meu corpo,
minha alma e toda minha ânsia de mar.
A poesia fez dos meus gestos uma seara de abandono,
instalou o caos de todas as primícias verbais.
A poesia comeu o sentimento que eu me tinha
e deu aos meus olhos este esquecimento de ave.

terça-feira, abril 22, 2014

quarta-feira, abril 09, 2014

Metaplágio sintético para outra serenata

Rua
Morta

Estrela
Torta

Ninguém
Na porta

terça-feira, março 25, 2014

Ensaio para os rudimentos da escrita

Aquilo que o poeta canta bem baixinho
Em segredo de confessionário
É só uma corruíra a beliscar o peito

sábado, março 15, 2014

Ensaio para o aquoso e o vítreo

No olho do poeta corre o rio
Deságua a estrela
Florescem pétalas e astros
Pululam divindades

No olho do poeta escorre o fio
Cresce a lágrima
Do que era, do que é findo
Em todo o infinito

No olho do poeta
Só no olho do poeta
a vida brilha ressuscitada

sexta-feira, março 14, 2014

Um canto de oferenda ao meu chão

Bahia é mar, é sertão.
Raso, profundo, largo.
Prato que se respira.
Bahia é a entidade,
que paira sobre as águas, inunda.
Bahia é Lucas da Feira, escravo fugitivo,
mestre das emboscadas.
Bahia é canto de sereia em dia de mar.
Trovão que rebrilha na Serra de São de José,
no bode de Uauá.
Bahia é vaqueiro encourado, caatinga
do coração, chão e desterro.
Bahia é a ponte que cruza destinos,
entroncamento de todas emoções.
Bahia é festa e pranto,
Bahia é o manto tricolor, é o Flu de Feira,
o Touro do Sertão.
Bahia é o engasgo da língua, o encosta, o encosto.
O ralar das coxas quentes, a praça Castro Alves
que é o do povo, como o céu é a amplidão.
Bahia é axé, oxente, gente.
Bahia é o arco-íris de uma multidão.

sábado, março 01, 2014

p.s.

ela lia baudelaire
e curtia o bolero
de ravel

ele vidrado
na calcinha
valisère

poeminha de alvíssaras

no quintal da casa
que eu comprei
financiada pelo BNH
tem um céu de prata
quando eu morrer
ela será quitada
e o céu de prata
será minha pátria