terça-feira, abril 22, 2014

quarta-feira, abril 09, 2014

Metaplágio sintético para outra serenata

Rua
Morta

Estrela
Torta

Ninguém
Na porta

terça-feira, março 25, 2014

Ensaio para os rudimentos da escrita

Aquilo que o poeta canta bem baixinho
Em segredo de confessionário
É só uma corruíra a beliscar o peito

sábado, março 15, 2014

Ensaio para o aquoso e o vítreo

No olho do poeta corre o rio
Deságua a estrela
Florescem pétalas e astros
Pululam divindades

No olho do poeta escorre o fio
Cresce a lágrima
Do que era, do que é findo
Em todo o infinito

No olho do poeta
Só no olho do poeta
a vida brilha ressuscitada

sexta-feira, março 14, 2014

Um canto de oferenda ao meu chão

Bahia é mar, é sertão.
Raso, profundo, largo.
Prato que se respira.
Bahia é a entidade,
que paira sobre as águas, inunda.
Bahia é Lucas da Feira, escravo fugitivo,
mestre das emboscadas.
Bahia é canto de sereia em dia de mar.
Trovão que rebrilha na Serra de São de José,
no bode de Uauá.
Bahia é vaqueiro encourado, caatinga
do coração, chão e desterro.
Bahia é a ponte que cruza destinos,
entroncamento de todas emoções.
Bahia é festa e pranto,
Bahia é o manto tricolor, é o Flu de Feira,
o Touro do Sertão.
Bahia é o engasgo da língua, o encosta, o encosto.
O ralar das coxas quentes, a praça Castro Alves
que é o do povo, como o céu é a amplidão.
Bahia é axé, oxente, gente.
Bahia é o arco-íris de uma multidão.

sábado, março 01, 2014

p.s.

ela lia baudelaire
e curtia o bolero
de ravel

ele vidrado
na calcinha
valisère

poeminha de alvíssaras

no quintal da casa
que eu comprei
financiada pelo BNH
tem um céu de prata
quando eu morrer
ela será quitada
e o céu de prata
será minha pátria

segunda-feira, fevereiro 24, 2014

p.s.

si yo no la tengo
qué puedo hacer
ninguna palabra
abrirá la ventana
para oír sus ojos

p.s.

um pássaro pousado na esquina
nada me ensina
mas eu insisto em fitá-lo

quarta-feira, fevereiro 19, 2014

uma ária para acidentes premeditados

talvez ela me esqueça
na curva do poema
e nunca mais deixe sinais
como uma pata de iguana

eu ficarei na solidão da areia
catalogando esta imensidão

enquanto perambulo em preâmbulo
o tempo arremata o meu epílogo

sexta-feira, fevereiro 14, 2014

canção à nuvem que se avizinha

ela vinha pássaro
pousar 
em meu poema

eu lhe dava
silêncio
pétala


nós éramos
um só alimento
em gestação

domingo, fevereiro 09, 2014

Receita homeopática para formação do poeta

Pegue uma palavra
E asse até dourar
Misture com outras
Em fogo brando
Adicione artigos
Pronomes e verbos
Salpique algumas
Figuras de retórica
De preferência use
Metáfora e metonímia
Espere virar o poema
Se não der certo
Tente novamente
Tente novamente
Tente novamente

Tente novamente

terça-feira, fevereiro 04, 2014

p.s.

p.s.

há um cão que sonha
em meu pensamento
se o peito divisa a lua


p.s.

o mar me arde nas têmporas
a vida me convida ao naufrágio

p.s.

os olhos dela
eram um mar
de ambiguidade

p.s.

lábios cor de poema
tão silábico salivar

p.s.

hoje deu vontade voar
de mãos dadas
com uma saudade

p.s.

no meu peito plúmbeo
espero inconsútil
o esmero da espada


p.s.

há uma queda que me eleva

terça-feira, janeiro 28, 2014

fragmento para carvão e cinza

temo o visgo do teu corpo
a saliência delgada dos seios
temo a flor de tua língua
a curvatura dos teus montes
temo esta missão de te amar
como se fosses a única estrela
e todo o orbe do meu nome
fosse povoado apenas de ti


sexta-feira, janeiro 24, 2014

p.s.

p.s.

antes de te conhecer
eu era silêncio
agora estou vento e areia
à espera do teu deserto

p.s.

de uma forma ou de outra
a missão da vida é dar adeus


p.s.

há uma estrada
e eu preciso cumpri-la
mas os meus pés
adejam o infinito

p.s.

deixei encantamentos de lado
agora só a palavra me interessa
repousa o corpo no meu verso
deixa-me incendiar a tua pele

p.s. 

p/ Joelma Bittencourt


Quero a visita do sol
No susto da palavra
A mim só interessam
Algumas rimas raras


terça-feira, janeiro 21, 2014

uma sonatina para espaços exíguos

no dia que você partiu
tão cheia de versos
eu fiquei tão blue
tive que recorrer
aos florais de bach
ao sorriso da monalisa
aos anéis de saturno
ao teorema de gauss
e reler insone
o poema em linha reta
não deu em nada
no dia que você partiu
tão cheia de versos

quinta-feira, janeiro 16, 2014

p.s.

p.s.

acho que meu corpo
volatizou
ansiando o teu beijo


p.s.

teu corpo me lembra nenúfares
me desperta líquidos
me alumbra de afogamentos


p.s.

nenhuma asa me sustenta
se vivo de amor
é por risco e contentamento


p.s.

a musa que me incita
fita esguia
a minha palavra aflita


p.s.

quando o mar sereno
beber minha prece
eu de ti me enveneno


p.s.

bendito o sal da tua pele
que aquece esta sede
que não cede


p.s.

a fome do teu nome
me vicia de súbitos


segunda-feira, janeiro 13, 2014

Uma outra ária para alfabeto de moça

Quando me povoas
No orbe do teu corpo
Tua fome me abocanha

Navego nesta sede
De precipícios
Neste visgo que não cede

Quando me povoas
De tulipas e utopias
Neste tempo tão dentro

terça-feira, janeiro 07, 2014

Das odes imperecíveis

I

Eu habitaria a face da tarde
Com teu silêncio
Desenharia o arrebol mais
Perfeito em seda e pele
E fio por fio
Desvendaria este rio
Com a sede do infinito
Que há em astros e lábios

II

Não é o mármore da pele
Que me acolhe as mãos
É ainda o aprendizado do vento
Este solene fluir de vértebras
Que o tempo instiga nas retinas

domingo, dezembro 29, 2013

Sonata breve “à l'après-midi d'un faune”

Não falará de mim o teu amor
Ainda que o delgado beije o lábio
Ainda que cintilem eflúvios de pele

Não falará de mim o teu amor
Ainda que as circunstâncias queimem
Ainda que rabisquem de cio as nuvens

Não falará de mim o teu amor
Nem mesmo quando o viço do silêncio
Fizer floração nesta estação de ternura