árvore da poesia
Para Toda Literatura
sexta-feira, agosto 23, 2013
Um poeminha para medrar reticências
p/ Laryssa Cagliato
Eu não sei se te pensaria num poema
Mergulho, olhos bruscos, precipício
Sei apenas que estou sozinho na tua pele
Como uma sílaba atônita e desavisada
Com essa urgência de me nutrir do singular
quinta-feira, agosto 22, 2013
Poema de intentos para descortinar altiplanos
Eu hoje acordei leve para o espanto
Cultivo arrebóis, levanto pálpebras
Vejo a minha sombra numa pedra
Viajo entre afagos de brilho líquido
Sinto a ternura que me arde as mãos
Estou excessivo, imediato, cromático
O caminho me persegue de vontades
Tão ardente me ruge o mar de sílabas
terça-feira, agosto 20, 2013
Carrego esta perdição na palavra
Sou poeta impróprio para consumo
Meus poemas são pedaços de pele
Que se queimam em busca de alforria
segunda-feira, agosto 19, 2013
Uma ária de amanhecimento em elevação
Desperto para alimentar os leões
Com meu alforje de orvalhos
Tão famintos eles de silêncios
Imploram a ausência nos olhos
Desperto para alimentar os leões
Enquanto cultivas pássaros no arrebol
sexta-feira, agosto 16, 2013
Canção líquida para afago de ninfa
Eu sempre pensei em fazer um poema
Onde coubessem ciprestes
Ou algumas plantas pteridófitas
Um poema com raiz, caule e folhas
Poema que ficasse ornado no corpo
Na marca úmida de um lábio
Como o protalo gerando gametas
quinta-feira, agosto 15, 2013
Epigrama para oferenda votiva
Comungo esta inutilidade da palavra
Este exercício frágil do amor
Cada sílaba que se que-bra:
Da ausência que arde
Na carne lacerada
terça-feira, agosto 13, 2013
Poema para janela que se tingiu de violeta
Não fosse de ti este áspero rio
Que deságua em minhas veias
A sombra da terra que emoldura
De emblemas os meus passos
Não fosse de ti o rubro da mão
Este acolhimento de vento e brisa
O incêndio transparente da face
Este augúrio que trazes no lábio
Não fosse de ti o singelo do mar
O desavisado cursar das velas
Esta geografia de circunstâncias
A cartografia íntima de um corpo
segunda-feira, agosto 12, 2013
A última lágrima de Capitu
Desde o tempo em que não existias
Já me eras a inalcançável estrela
Aquele rasgo no céu
Tu bem sabes que não existias
Nem mesmo no poema
Como uma palavra condenada
Também não me vinhas
Desde o tempo em que não existias
Contemplo aquele quadro de Monet
Pejado de nenúfares
Desde o tempo em que não existias
Compartilho este destino de águas
Aprisionadas em faces de pedra
sábado, agosto 10, 2013
Uma balada gris para tantos descaminhos
Eu nunca soube que falavas de mim
Entre os teus silêncios de ninfa
Eu nunca soube
Nem mesmo quando escovavas
Sílabas em teus cabelos
Eu nunca soube
E nesta minha ignorância de te amar
Eu nunca soube
Que prendias o ar nas retinas
E soletravas um alfabeto de distâncias
Eu nunca soube
quinta-feira, agosto 08, 2013
haikai enfim
num rasgo de promessa
queimo o último poema
na fruição deste silêncio
terça-feira, agosto 06, 2013
Fragmento para o ressoar de transparências
O rumor de uma palavra me desperta
Acordo viço
Numa terna alegria de desconhecimento
domingo, agosto 04, 2013
Antipoema para cerzir ventanias
Não quero efusividades
Nem agasalho para minha dor
Só os gatos são pardos
E transitam insones na aurora
Não quero efusividades
São tantas as febres deste parto
Só os gatos são pardos
Não me atire este sorriso de Gioconda
Que desliza entre arrebóis
São meus pés que cultivam tua sede
Mas um dia eu me morro sem mágoa
Convicto da minha inexistência
sexta-feira, agosto 02, 2013
O homem que tramava epifanias
Magritte não pintava pássaros
Ele apenas queria elevar as coisas
Ao status de asas:
Compunha cores em rotas de elevação
quarta-feira, julho 31, 2013
Fragmento líquido
Eu te esperava
E chovia
Até ver eu via
Mas chovia,
Chovia
E em nenhuma
Água você vinha
terça-feira, julho 30, 2013
Fragmento à guisa de uma resposta
na horizontal
e na
v
e
r
t
i
c
a
l
se faz amor e poesia
domingo, julho 28, 2013
Fragmento para inexistência
Eu me descobri
Num despertencimento
Aqui jaz o eu que havia
sábado, julho 27, 2013
O labirinto sentimental dos versos perdidos
Em qual galáxia se prende
Os versos que te ofertei
Em qual oferenda ou prenda
Saliva a inocência
Das palavras não lidas
Porque fostes o sutil
Encanto da metáfora
Toda a sina da metonímia
A imprevista amálgama
A perdida teia da prosopopeia
sexta-feira, julho 26, 2013
Quase pedra, quase poesia
Na cidade pequena
Pedra e poema
São o mesmo teorema
Na cidade grande
Urbe e poesia
São a mesma algaravia
quinta-feira, julho 25, 2013
Quase 1 verso, quase 1mg
Eu e meu amor
Não fomos felizes
Por um triz
Eu fazia poemas
Ela tomava rivotril
quarta-feira, julho 24, 2013
Litania para rudimentos de uma antemanhã
p/Lara Amaral
Da pele quero solfejo de sílabas
Invadir de mar tua língua
Clara semente de alumbramento
Da pele quero teu branco que urge
Ondular-me neste aceso tão cedo
Deste vosso gesto febril de enlevo
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