domingo, junho 09, 2013

toma-me neste súbito que a palavra irá defenestrar

no teu sexo me escrevo
falo em espasmos
tudo se avulta em línguas
sílabas, salivas, redescobertas

sábado, junho 08, 2013

aquilo tudo sobre os outros poemas que não te escrevi

como uma flor, um silêncio, uma solidão
tenho algas nos calcanhares, velas
corais, conchas
este fundo tão imerso
uma ária de imensidão

quinta-feira, junho 06, 2013

poética

estou tarde
qualquer dia emudeço
nem o amor salvará
o peito apertado
(que algum verso
me absolva de mim)

terça-feira, junho 04, 2013

fragmento para sucessão de espaço sem matéria

por ora nada me abarca
nenhum verso, nenhum corpo
deixai-me com meus lírios
que de vazios estou completo


A Cris me fez uma oferenda linda aqui

segunda-feira, junho 03, 2013

Revista Pessoa

Poemas meus na Revista Pessoa com ilustração de Lelena Terra e curadoria de Luiz Ruffato.

sábado, junho 01, 2013

dicionário de brevidades e alumbramentos

- chuva: sina de líquido no olhar
- lágrima: afago de retinas
- cheiro: incêndio na saliva
- orvalho: estuário de uma sílaba


A Lara Amaral me ofertou uma dádiva preciosa aqui

fragmento para vertigem e sal

carrego uma ânsia de comer o mar
e nenhum poema me navega

sexta-feira, maio 31, 2013

por ti cometeria os pecados mais singulares III

o que resta de nós são poemas
a casa imersa em sílabas
este céu plácido de silêncios
nenhum, nenhuma
nada mais somos do que não fomos
o que resta de nós são poemas
a escrita impura das ausências

quinta-feira, maio 30, 2013

au loin la mer

vivo este desconhecimento vasto
de mim pouco ou nada sei
mas persigo a rota do girassol
comigo: não sei se consigo

terça-feira, maio 28, 2013

porque o coração queria ser Piva e Orides II

Quando o pássaro acordou
Não havia canto nem voo
No céu a nuvem distraída
Desdenhava as suas asas

segunda-feira, maio 27, 2013

um passarinho pousou sobre mim o seu silêncio

(ando embebido na lágrima de uma ausência)

sexta-feira, maio 24, 2013

por ti cometeria os pecados mais singulares II


eu vou ficar esperando pelo cigarro
pela última estrela
pelo latido aflito dos cães
pelos poemas que não foram escritos
pela caligrafia rasgada de nomes
eu vou ficar esperando
por um nada, um vazio, um caos
até o peito explodir como uma galáxia

quarta-feira, maio 22, 2013

Fragmento desperto para remendo em corda de violão


Teus olhos plangiam
Era assim que te via
Quando noite era dia

terça-feira, maio 21, 2013

Canção para despertar arrebóis


Ela acordou tão plena de manhãs
Que os olhos não cabiam
De tanto alumbramento

segunda-feira, maio 20, 2013

por ti cometeria os pecados mais singulares


hoje não temo poemas
tenho tua ausência
a me ornar o silêncio

domingo, maio 19, 2013

sonata para uma gioconda em tessitura maior



não te chamarei musa
a delgada saliência da pele
tampouco te nomearei flor
esses equinócios do teu olhar
só sei que de ti habito equívocos
nenhum sortilégio de algas ou mapas
apenas a tonta reminiscência do lilás
esta ausência em chamariz
incendiando o meu peito gris


sábado, maio 18, 2013

fragmento para uma ausência (esta)


meu pouso é outro lugar
aquele onde não existo
mas descanso meu corpo

2 histórias


1 história ou a outra história

ela era deliciosa e tinha uma tatuagem bem no bumbum. Quando perguntei, ela respondeu: é um beija-frô! eu me apaixonei no ato!


1 história ou quiçá a história

De segunda a quinta ele ficava em casa, quase não nos falávamos. Ele tão solitário. Sexta saía, voltava embriagado e cheio de amor. Sábado ele não voltava para casa. No domingo eu ia buscá-lo perdido com os amigos boêmios. Na segunda a gente recomeçava, A gente sempre recomeçava, tão sozinhos.


1 metaplagio (com o perdão de quintana)


esses que estão aí
povoando de azar meu caminho
eles passarão
eu continuarei solzinho

ouço a voz que vem do silêncio


quando estou contigo
é quando mais
dentro de mim me sinto

sexta-feira, maio 17, 2013

Canção para véspera do branco e das mãos


No dia que cheguei de tantos caminhos
Teu corpo era um porto de alvíssaras
Nós que muito já nos havíamos
Tu me trazias o espelho de várias sílabas
Eu me tinha em avessos de estrelas
Nos nossos passos pousaram pássaros
E nos despimos na interrogação dos dias
Feito sonho cravado na pupila do outono

quarta-feira, maio 15, 2013

fragmento para pequenas solidões II


tem um silêncio
que castiga
os meus olvidos
incessante
incessante

terça-feira, maio 14, 2013

Canção de rio para nuvem e pretérito


O papo era sobre poesia
ela me falava em astrolábios
a gente ali sob o céu
tão juntinhos, tão perto
no vento de uns suspiros
o coração em folguedos
então ela virou-se
a contemplar o horizonte
eu nunca mais esqueci
o perder de olhos no orbe
o espanto naquela silhueta
tinha visgo de eternidade

segunda-feira, maio 13, 2013

Ária de sagração para pedra, flor e água


Não guardo nenhuma intempérie
Nem mesmo raios que ora me habitam
Atravessam a silhueta deste ubíquo olhar
Nada me alcança em tormenta

Venho desde muito longe
Até o mar submergir as palavras
Como uma pedra desnuda
E uma flor sem mágoa

sábado, maio 11, 2013

”La Cabane de Baba-Yaga sur des Pattes de Poule”


do sonho de menino azul e profundo
a vida não poupou trégua
há o sol que incandesce os dias
como um helianto tresloucado
ninguém cabe na própria ausência


sexta-feira, maio 10, 2013

metaplagio de reverência ao soneto de camões


o amor é sede que não cessa
visgo que não aplaca
corre na veia
flui no pensamento
palpita no silêncio
não se recusa o seu intento

quinta-feira, maio 09, 2013

uma palavra vazia aguava a língua


aguardo a esfinge
que trará o enigma
que me tragará 

terça-feira, maio 07, 2013

fragmento para pequenas solidões


tão sozinho que
até ausências
o preenchiam

sábado, maio 04, 2013

Quase teu, quase prometeu


A tua ausência é esta ave
A bicar-me o fígado
Eu renasço em vazios

sexta-feira, maio 03, 2013

Metaplagio para canção da torre mais alta


De tão benfazejo o desejo
Cumpriu-se em caminho azul
De grata delicadeza o incenso
Cobriu-se no céu de imenso


(guardar retinas, pálpebras
a amurada de um sonho
que se desdobra em fímbrias
e beija as vestes da manhã)

Nos olhos nada a esquecer
Nenhuma promessa ou suspiro
Na sede que o corpo empenha
Na paz de um suntuoso retiro

quarta-feira, maio 01, 2013

metaplagio solícito para repouso de imensidão


Nesta noite em que cada noite
é noite dentro da noite.
Invadem-me as estrelas do teu rosto
e dos teus lábios astros a brilhar.
És o orbe, o universo.
O resto é o resto, é o resto dentro da noite,
desta noite que é noite dentro de outra noite.

terça-feira, abril 30, 2013

fragmento com adorno de cera


poesia não é artigo de luxo
tampouco artigo essencial

segunda-feira, abril 29, 2013

Porque o silêncio caminha imenso em teus lábios


fala-me para eu te saber ou te calas
que eu me mudo para o teu silêncio

domingo, abril 28, 2013

bem-aventurado o vento que me povoa


escrevo alguma coisa
não por necessidade
sequer por serventia

em dias de ventania
olhos voam para ti
céleres de companhia

sábado, abril 27, 2013

o que há de chama acende-se em elegante enleio


teu corpo me pede
verdade, verão
pois outonos virão

quinta-feira, abril 25, 2013

você se lembra quando ouvíamos as canções de belchior no toca-fitas do carro


esqueça o amor, ele não nos colore mais
nas noites frias tremem os olhos solitários
e até aquela blusa jeans desbotou no armário


Um livrinho para ser degustado: Poemas de Centauro & outros versos

quarta-feira, abril 24, 2013

fragmento para todas reminiscências


meu pai sentado
lendo jornal, fumando o cigarro
eu cresci como este silêncio: inabitável

terça-feira, abril 23, 2013

bendita a língua que afia o veio


preciso me afogar de sol
de mar, de vento,
da sutil rutilância das cores
dessas coisas que cheiram
como teu sexo encantado

segunda-feira, abril 22, 2013

Para o que nos atiça as vistas II (à guisa de um metaplagio)


em vão retirei as estrelas
mas tropeçaste
nos meus olhos distraída

domingo, abril 21, 2013

para o que nos atiça as vistas


Você não me sabe
Eu não te sei
Em meio a isso

Sutil ignorância
Afogamo-nos
Em fogo e viço

sábado, abril 20, 2013

fragmento para jasmim e entrega


quando ela me chega pele e nuvem
e silencia meus olhos de vertigem
eu fico todo prosa
e poesia

sexta-feira, abril 19, 2013

Pergaminho de Ulisses a caminho de Ítaca


Quando eu voltar deste périplo cansado
Não me olhes como Penélope abençoada
Antes retire as tramas que embalas o peito
Saibas que no oceano cruel fui das sereias
E que nesta terra que se enredaram passos
Serei sempre de nós o eterno teu deste laço

quinta-feira, abril 18, 2013

eu era o espelho de alice


I
para tocar-te as mãos
na mágica de uma palavra
que tu me vinhas
folguedo e fragmento
rio, rito, esculpido
tão dentro em mim
que nada cabia em si

II
eu sempre quis
saber o que há
por trás do espelho
mas nunca ousei


quarta-feira, abril 17, 2013

A liberdade é uma canção em chamas


depois da leitura de poemas de Lara, Tânia e Eleonora

a flor viceja em ensaios
colore a estação de cismas
neste caminho de arroio
em que mãos urgem colheita

segunda-feira, abril 15, 2013

Porque o coração é doce quando sangra


Inseto incerto no teu passo
Casulo arbitrário
Vagueio círculo absurdo

Morrem-me em ti: as mãos
Agarro-me em ausências
Sou todo afagos neste chão

sábado, abril 13, 2013

Quadra à moda antiga para moça de cabelo grená


é tão vento o teu passar
um acalanto tão lento
que eu me desinvento
entre bruma, estrela e luar

sexta-feira, abril 12, 2013

uma prosa esquecida


aquele livro de proust intragável que você me fez ler
aquele por-de-sol na barra
a cerveja no avalanche
o pastel do chinês
aquela sensação que o mundo nos pertencia
e que se perdeu
entre olhos desolados
mãos sem afago
todos aqueles dias
entre estações que não vingaram

quinta-feira, abril 11, 2013

Ária de retorno ao traço de pássaros e peixes


Apenas sei da ilha uma possibilidade
Como remoto amor, ânsia de oásis
O instante árduo em tuas espáduas

O sopro que me conduz em nuvens
Este sal que incide a pele, queima
Tão atroz feito girassol em espanto

terça-feira, abril 09, 2013

Mata-me com o olor dos teus abismos


tramam tuas tardes
que ardem
neste visgo de olhar

seiva de remoto fruto
ilha úmida que viceja

o mar que é um preâmbulo
de tantas sedes

sábado, abril 06, 2013

Nenhuma barca resiste a este rio


estive só
como se nunca
estivesses comigo

sexta-feira, abril 05, 2013

depois do tempo que houve nos ouve a memória


I (o que ouve)

oráculo em silêncio
no branco da página
o poema é só miragem

II (o que houve)

no rasgo da pele
no faro da sede
eu uivo teu nome
com visgo de língua

quinta-feira, abril 04, 2013

por mais que me sejas oração


quando me chamas
acendes o sujeito
insubordinado

quarta-feira, abril 03, 2013

Nenhuma margem abarca este rio


Mais fundo seria se eu não soubesse
Se não me atravessasses
Com este semblante de monalisa

terça-feira, abril 02, 2013

breviário para uma etimologia das sombras


a solidão é um campo de origamis
imersão para mil grous
tempo de dobrar e desdobrar-se

segunda-feira, abril 01, 2013

fragmento pungente


Éramos ela e eu
Passou o tempo
Era ela, era eu

segunda-feira, março 25, 2013

Ensaio sobre a morfologia do rubro e do coral


Você não entendeu meu gesto
Apontava aquela nuvem em sorriso
O mar que despontava nos dedos
Você não via as pétalas da manhã
Eu sei que caminhávamos destroços
Mas é assim o amor:
Esta sina de descrer verdades

domingo, março 24, 2013

divagações em torno de barros


poema é o lugar
onde a incerteza
rompe a caligrafia

sábado, março 23, 2013

fragmento 1962


sou um homem acordado e nu
nenhuma palavra me veste

quinta-feira, março 21, 2013

Fragmento adstringente


Ficou o não dito
Este espanto
Travo definitivo

p.s. “Vem dormir comigo
Não faremos amor, ele nos fará”

Assis Freitas (o fragmento)
Cortázar ( o p.s.)

terça-feira, março 19, 2013

negócio de oportunidade


doo uma plantação de silêncio
para quem quiser cultivar o ócio

domingo, março 17, 2013

fragmentos em múltipla escolha


1 versão

a minha cota de mim eu te doei
agora sou completamente outro

2 versão

minha cota de mim eu já te dei
agora sou estranhamente outro

3 versão

a minha cota de mim já te doei
agora doem em mim os outros

4 versão

minha cota de mim eu já te doei
agora a dor em mim é este outro

sexta-feira, março 15, 2013

poema de atavismo nas retinas


a quase morte:
o silêncio:
o tempo que vaza:
a incompletude:
oráculos nus
recitam em vão

quarta-feira, março 13, 2013

Sonata breve para flor e epifania


A virgem claridade da página
É um acinte à palavra
Resta pois arriscar

terça-feira, março 12, 2013

Sonatina de vento para canto de sereia

para Cris de Souza


De gravetos fiz um mar
Povoado de passarinhos

Esperando as gaivotas
Num canto de bem-te-vi

Verde a se perder de vista
Ver-te é se perder a vista


domingo, março 10, 2013

Oração para os santos verbos do dia


Que minha mão recolha o súbito
Que meu pé caminhe o instante
Que meu olho vislumbre o átimo
Que meu ouvido ecoe o iminente
Que meu corpo arda o inadiável
Que minha alma voe o imperioso
Que meu verso acate o inevitável 

sábado, março 09, 2013

o corpo (a)guarda tamanhos abismos


são tantas as mortes
algumas imensas
outras só um dado
- lançado à sorte

sexta-feira, março 08, 2013

o amor


me deu asa
comida e
alma levada

quinta-feira, março 07, 2013

fragmento para os que ardem


sou o meu próprio inferno
e a poesia não me salva

terça-feira, março 05, 2013

fragmento e nonada


por ofício me destino ao inútil
ao esquecimento na palavra
neste repetir-se em nadas

segunda-feira, março 04, 2013

ária solene para resguardo dos ventos


(para Daniela Delias)

guarda-me um silêncio
para antes ou depois
um repouso de nenúfares
- passagens

pousa os olhos, vês:
há miragem na poeira
- emblemas
é tudo vidro e cerração

na cidade anunciada
corre o rio desavisado
a mulher espera flores
artifícios, brincos, amor

guarda-me uns versos
embebidos de lilases
saliva tão fina na retina
heliantos, brilhos fugazes

descansa os olhos, mãos
é tudo tão dentro, dentro
vertigem tão voraz
guarda esta sede tão líquida





sábado, março 02, 2013

porque o silêncio me inunda


há coisas suficientemente breves
impossíveis de enumerar:
como a imensidão de um átimo
ou a pausa no final de um poema

quinta-feira, fevereiro 28, 2013

ária para oboés e artifícios canoros


a minha vida é besta
é cesta de poesia
nuvem a me cobrir

um bem que te vejo
no olho do bem-te-vi
quando pousaste aqui

quarta-feira, fevereiro 27, 2013

fragmento e alheamento


eu olho para o poema
e me penso outro
aquele que vaga
na saliência silábica
de cada palavra

segunda-feira, fevereiro 25, 2013

fui morto por tua ausência


por que vieste
de tão longe
para me esquecer

domingo, fevereiro 24, 2013

eu fico com a eternidade deste silêncio


é tão misericordiosa
a palavra adeus
nos liberta outros eus

sábado, fevereiro 23, 2013

haikai de flor


inquieta lábia
fazer surgir
o sol da saia

sexta-feira, fevereiro 22, 2013

Ensaio argênteo para pele luzidia


Nada posso te contar do meu amor
Que é tão antigo
Apenas sei do que me incita a sede
Da sequiosa palavra ausente
Deste acúmulo de vazios

quarta-feira, fevereiro 20, 2013

domingo, fevereiro 17, 2013

quase desassossego, quase soares


só diz o meu corpo
o inferno que arde
a raiz do silêncio
este estranho estar
em descontentamento

sábado, fevereiro 16, 2013

outro fragmento de sal e vento


sim, eu quero um silêncio
imenso como o mar
e traiçoeiro como teu lábio

sexta-feira, fevereiro 15, 2013

fragmento circunstancial


o poema se basta de nadas:
achei isso tão mim
me ocorreu um eu

quinta-feira, fevereiro 14, 2013

Fragmento e açucena


Ainda resta o olor
do que me sopraria
teu hálito em esperas

quarta-feira, fevereiro 13, 2013

quase sísifo, quase ardor


a solidão é fria na flor
como delicadeza na pedra
como sonho que não medra

segunda-feira, fevereiro 11, 2013

fragmento e helianto


o olho da amada
respira poesia
já o corpo inspira
o suor do meu dia

domingo, fevereiro 10, 2013

fragmento amaro


a vida em certos momentos
é tão tardia
e há muito a palavra não ardia
tão excessiva

sábado, fevereiro 09, 2013

fragmento estrangeiro


quando a gente retorna,
quem será vindo?
quem sou eu?
e tu, quem terás sido?

II

tu já não eras como antes
mas meus olhos
te viam como antes
pra nunca esquecer depois

sexta-feira, fevereiro 08, 2013

fragmento para catavento


o poema amanhece
eu me adormeço
em alguma palavra

quinta-feira, fevereiro 07, 2013

Soneto post-moderno


se nada acontecer nada
vai acontecer se nada a-
contecer nada vai acon-
tecer se nada acontecer

tudo porém pode aconte-
cer tudo pode acontecer
porém tudo pode aconte-
cer se tudo vai acontecer

o contrário também pode
ser ao contrário pode ser
contrário de tudo vir a ser

sendo assim visto assim
contrário pode acontecer
que o nada pode se fazer

quarta-feira, fevereiro 06, 2013

fragmento para solidão


em vão as paredes recitam
o alfabeto dos corpos


terça-feira, fevereiro 05, 2013

fragmento para chuva íntima


todos os poemas já foram escritos
e eu insisto a me repetir em nadas

segunda-feira, fevereiro 04, 2013

fragmento para vermeer


quem disse que faço poesia
eu vivo de pequenas solidões

domingo, fevereiro 03, 2013

fragmento de pés, unhas e mãos atadas


se de amores eu me mato
ninguém duvide do afinco
rasga céu rouca trovoada
o brinco da minha amada

sábado, fevereiro 02, 2013

poema bobinho para fim de tarde


como um céu
assustado
de heliantos

é assim que
paira em mim
o teu encanto

sexta-feira, fevereiro 01, 2013

para que enfim possamos seguir


minha língua
na pele tua
logo sua

quinta-feira, janeiro 31, 2013

quase sólido, quase gasoso


por mais muro que tu sejas
deve existir o lugar explícito
para que o sopro te faça ruir

terça-feira, janeiro 29, 2013

Fragmentos para ser manoel ou garrincha


Se fosse jogador de futebol
Queria ser Mané
O das pernas tortas
Saltitante garrincha

Mas como do orbe
Só ganhei o drible da palavra
Intento ser o Manoel
Menestrel passarinho

segunda-feira, janeiro 28, 2013

A ESPERA


Um dia vou sentar
e escrever a obra
da minha vida.

Enquanto isso,
atiço ventanias
nesta manhã sem fim.

sábado, janeiro 26, 2013

Ária para vento perdido no raso da caatinga


Nenhum pássaro 
me escuta
Apenas o sol arde