quarta-feira, novembro 16, 2011

sexta-feira, maio 06, 2011

quarta-feira, abril 20, 2011

solo de viola para rebeca e odete

eram duas moçoilas mocinhas
viviam de várzea vizinhas
uma noite rebeca era minha
noutra odete virava rainha
tudo que havia não via rinha
também eu era rei sozinho
quando rebeca e odete se tinham

sexta-feira, março 18, 2011

canção de enlevo ao senhorio

paramirim, querubim
pecado reto
virtude de inseto

na asa do tempo voo
pássaro raro
prenhe de amor

quinta-feira, dezembro 09, 2010

ensaio mnemônico para uma feira livre

Feira, não desavisadamente
moro em uma Feira,
cidade por vocação comercial
e por tradição de ambulantes,
destemperados que tudo vendem
e não contentes repetem em voz alta
o discurso do produto
a quem se oferecer possa,
então segunda é sempre de primeira
nos meus tímpanos cansados

sexta-feira, novembro 05, 2010

as escolhas que eu me fiz e as escolhas que me fizeram

Caio Fernando Abreu

ALENTO

Quando mais nada houver,
eu me erguerei cantando,
saudando a vida
com meu corpo de cavalo jovem.

E numa louca corrida
entregarei meu ser ao ser do Tempo
e a minha voz à doce voz do vento.

Despojado do que já não há
solto no vazio do que ainda não veio,
minha boca cantará
cantos de alívio pelo que se foi,
cantos de espera pelo que há de vir.

ORIENTE

manda-me verbena ou benjoim no próximo crescente
e um retalho roxo de seda alucinante
e mãos de prata ainda (se puderes)
e se puderes mais, manda violetas
(margaridas talvez, caso quiseres)

manda-me osíris no próximo crescente
e um olho escancarado de loucura
(em pentagrama, asas transparentes)

manda-me tudo pelo vento:
envolto em nuvens, selado com estrelas
tingido de arco-íris, molhado de infinito
(lacrado de oriente, se encontrares)

domingo, outubro 31, 2010

sábado, outubro 02, 2010

poemas de centauro

I

Agora que já
estamos sozinhos
Permita-me provar

O fogo da peçonha
que alimenta
A alma inquieta

E me deixe apascentar
- sem medo - os incautos
Girassóis do entardecer

quinta-feira, agosto 19, 2010

Em cada poste o silêncio

1. Às vezes dá vontade de incendiar esse silêncio, mas me calam as palavras.
2. A incoerência desceu justo com o teu silêncio.
3. Respiro o silêncio desta noite cheia de arrepios.
4. A imensidão do mar só não é maior que o vazio desse silencio.
5. A noite veste o silencio das preces enluaradas.
6. O branco da tua pele é um silêncio que me impele.
7. Dela restou o silencio entre os artifícios da manhã.
8. Vejo a brisa que se evade pelo silencio dos teus passos.
9. Tenho quase certeza que esse silencio vem do teu jeito de amar.
10. Ela se cobria de silêncios para provocar o alvoroço.
11. Era obcecado por girassol, pôr-do-sol, lençol e ficar como o silencio a sós.
12. Achava bonito o retrato na parede emoldurando o silencio do quarto.
13. Ele abusava de espantos para o silencio ir-se embora.
14. Sempre que ela se vai deixa um rastro embevecido de silêncio.
15. Só o silêncio havia como coisa concreta, o resto era ilusão.
16. Ela entrou repentina como o silêncio e paz não mais se fez.
17. Houve silêncio enquanto rompia o verbo da tua carne.
18. Invariavelmente temias o silêncio das tuas respostas.

sexta-feira, julho 23, 2010

Suíte para ouvir Leminski

Sobre precipícios desfilam os instantes
Deslizam feito fagulhas atordoadas
Vou começar a me perder para ser o outro,
O que come versos e arrota maresias.
Um dia quero ser todas as poesias.

segunda-feira, junho 28, 2010

as escolhas que eu me fiz e as escolhas que me fizeram - Murilo Rubião



Bárbara

"O homem que se extraviar
do caminho da doutrina,
terá por morada a assembléia
dos gigantes."
- Provérbios, XXI; 16.

Bárbara gostava somente de pedir. Pedia e engordava.
Por mais absurdo que pareça, encontrava-me sempre disposto a lhe satisfazer os caprichos. Em troca de tão constante dedicação, dela recebi frouxa ternura e pedidos que se renovavam continuamente. Não os retive todos na memória, preocupado em acompanhar o crescimento do seu corpo, se avolumando à medida que se ampliava sua ambição. Se ao menos ela desviasse para mim parte do carinho dispensado às coisas que eu lhe dava, ou não engordasse tanto, pouco me teriam importado os sacrifícios que fiz para lhe contentar a mórbida mania.
Quase da mesma idade, fomos companheiros inseparáveis na meninice, namorados, noivos e, um dia, nos casamos. Ou melhor, agora posso confessar que não passamos de simples companheiros.
Enquanto me perdurou a natural inconsequência da infância, não sofri com as suas esquisitices. Bábara era menina franzina e não fazia mal que adquirisse formas mais amplas. Assim pensando, muito tombo levei, subindo a árvores, onde os olhos ávidos da minha companheira descobriam frutas sem sabor ou ninhos de passarinho. Apanhei também algumas surras de meninos aos quais era obrigado agredir unicamente para realizar um desejo de Bárbara. E se retornava com o rosto ferido, maior se lhe tornava o contentamento. Segurava-me a cabeça entre as mãos e sentia-se feliz em acariciar-me a face intumescida, como se as equimoses fossem um presente que eu lhe tivesse dado.
Às vezes relutava em aquiescer às suas exigências, vendo-a engordar incessantemente. Entretanto, não durava muito a minha indecisão. Vencia-me a insistência do seu olhar, que trasformava os mais insignificantes pedidos numa ordem formal. (Que ternura lhe vinha aos olhos, que ar convincente o dela ao me fazer tão extravagantes solicitações!)
Houve tempo - sim, houve - em que me fiz duro e ameacei abandoná-la ao primeiro pedido que recebesse.
Até certo ponto, minha advertência produziu o efeito desejado. Bárbara se refugiou num mutismo agressivo e se recusava a comer ou conversar comigo. Fugia à minha presença, escondendo-se no quintal e contaminava o ambiente com uma tristeza que me angustiava. Definhava-lhe o corpo, enquanto lhe crescia assustadoramente o ventre.
Desconfiado de que a ausência de pedidos em minha mulher poderia favorecer uma nova espécie de fenômeno, apavorei-me. O médico me tranquilizou. Aquela barriga imensa prenunciava apenas um filho.
Ingênuas esperanças fizeram-me acreditar que o nascimento da criança elimeinasse de vez as estranhas manias de Bárbara. E suspeitando que a sua magreza e palidez fossem prenúncio de grave moléstia, tive medo que, adoecendo, lhe morresse o filho no ventre. Antes que tal acontecesse, lhe implorei que pedisse algo.
Pediu o oceano.
Não fiz nenhuma objeção e embarquei no mesmo dia, iniciando longa viagem ao liltoral. Mas, frente ao mar, atemorizei-me com o seu tamanho. Tive receio de que a minha esposa viesse a engordar em proporção ao pedido, e lhe trouxe somente uma pequena garrafa contendo água do oceano.
No regresso, quis desculpar meu procedimento, porém ela não me prestou atenção. Sofregamente, tomou-me o vidro das mãos e ficou a olhar, maravilhada, o líquido que ele continha. Não mais o largou. Dormia com a garrafinha entre os braços e, quando acordada, colocava-o contra a luz, provava um pouco da água. Entrementes, engordava.
Momentaneamente despreocupei-me da exagerada gordura de Bárbara. As minhas apreensões voltavam-se agora para o seu ventre a dilatar-se de forma assustadora. A tal extremo se lhe dilatou que, apesar da compacta massa de banha que lhe cobria o corpo, ela ficava escondida por trás de colossal barriga. Receoso de que dali saísse um gigante, imaginava como seria terrível viver ao lado de uma mulher gordíssima e um filho monstruoso, que poderia ainda herdar da mãe a obsessão de pedir as coisas.
Para meu desapontamento, nasceu um ser raquítico e feio, pesando um quilo.
Desde os primeiros instantes, Bárbara o repeliu. Não por ser miúdo e disforme, mas apenas por não o ter encomendado.
A insensibilidade da mãe, indiferente ao pranto e à fome do menino, obrigou-me a criá-lo no colo. Enquanto ele chorava por alimento, ela se negava a entregar-lhe os seios volumosos, e cheios de leite.
Quando Bárbara se cansou da água do mar, pediu-me um baobá, plantado no terreno ao lado do nosso. De madrugada, após certificar-me de que o garoto dormia tranquilamente, pulei o muro divisório com o quintal do vizinho e arranquei um galho da árvore.
Ao regressar a casa, não esperei que amanhecesse par entregar o presente à minha mulher. Acordei-a, chamando baixinho pelo seu nome. Abriu os olhos, sorridente, adivinhando o motivo por que fora acordada:
- Onde esta?
- Aqui. E lhe exibi a mão, que trazia oculta nas costas.
- Idiota! gritou, cuspindo no meu rosto. - Não lhe pedi um galho - E virou para o canto, sem me dar tempo de explicar que o baobá era demasiado frondoso, medindo cerca de dez metros de altura.
Dias depois, como o dono do imóvel recusava-se vender a árvore separadamente, tive que adquirir toda a propriedade por um preço exorbitante.
Fechado o negócio, contratei o serviço de alguns homens que, munidos de picaretas e de um guindaste, arrancaram o baobá do solo e o estenderam no chão.
Feliz e saltitante, lembrando uma colegial, Bárbara passava as horas passeando sobre o grosso tronco. Nele também desenhava ficuras, escrevia nomes. Encontrei o meu debaixo de um coração, o que muito me comoveu. Este foi, no entanto, o único gesto de carinho que dela recebi. Alheia à gratidão com que eu recebera a sua lembrança, assistiu ao murchar das folhas e, ao ver seco o baobá, desinteressou-se dele.
Estava terrivelmente gorda. Tentei afastá-la da obssão, levando-a ao cinema, aos campos de futebol. (O menino tinha que ser carregado nos braços, pois anos após o seu nascimento continuava do mesmo tamanho, sem crescer uma polegada.) A primeira idéia que lhe ocorria, nessas ocasiões, era pedir a máquina de projeção ou a bola, com a qual se entretinham os jogadores. Fazia-me interromper, sob o protesto dos assistentes, a sessão ou a partida, a fim de lhe satisfazer a vontade.
Muito tarde verifiquei a inutilidade dos meus esforços para modificar o comportamento de Bárbara. Jamais compreenderia o meu amor e engordaria sempre.
Deixei que agisse como bem entendesse e aguardei resignadamente novos pedidos. Seriam os últimos. Já gastara uma fortuna com as suas excentricidades.
Afetuosamente, chegou-se para mim, uma tarde, e me alisou os cabelos.
Apanhado de surpresa, não atinei de imediato com o motivo do seu procedimento. Ela mesmo se encarregou de mostrar a razão:
- Seria tão feliz, se possuísse um navio!
- Mas ficaremos pobres, querida. Não teremos com que comprar alimentos e o garoto morrerá de fome.
- Não importa o garoto, teremos um navio, que é a coisa mais bonita do mundo.
Irritado, não pude achar graça nas suas palavras. Como poderia saber da beleza de um barco, se nunca tinha visto um e se conhecia o mar somente através de uma garrafa?!
Contive a raiva e novamente embarquei para o litoral. Dentre os transatlânticos ancorados no porto, escolhi o maior. Mandei que o desmontassem e o fiz transportar à nossa cidade.
Voltava desolado. No último carro de uma das numerosas composições que conduziam partes do navio, meu filho olhava-me inquieto, procurando compreender a razão de tantos e inúteis apitos de trem.
Bárbara, avisada por telegrama, esperava-nos na gare da estação. Recebeu-nos alegremente e até dirigiu um gracejo ao pequeno.
Numa área extensa, formada por vários lotes, Bárbara acompanhou os menores detalhes da montagem da nave. Eu permaneci sentado no chão, aborrecido e triste. Ora olhova o menino, que talvez nunca chegasse a caminhar com as suas perninhas, ora o corpo de minha mulher que, de tão gordo, vários homens, dando as mãos, uns aos outros, não conseguiriam abraçá-lo.
Montado o barco, ela se transferiu para lá e não mais desceu à terra. Passava os dias e as noites no convés, inteiramente abstraída de tudo que não se relacionasse com a nau.
O dinheiro escasso, desde a compra do navio, logo se esgotou. Veio a fome, o guri esperneava, rolava na relva, enchia a boca de terra. Já não me tocava tanto o choro de meu filho. Trazia os olhos dirigidos para minha esposa, esperando que emagrecesse à falta de alimantação.
Não emagreceu. Pelo contrário, adquiriu mais algumas dezenas de quilos. A sua excessiva obesidade não lhe permitia entrar nos beliches e os seus passeios se limitavam ao tombadilho, onde se locomovia com dificuldade.
Eu ficava junto ao menino e, se conseguia burlar a vigilância de minha mulher, roubava pedaços de madeira ou ferro do transatlântico e trocava-os por alimento.
Vi Bárbara, uma noite, olhando fixamente o céu. Quando descobri que dirigia os olhos para a lua, larguei o garoto no chão e subi depressa até o lugar em que ela se encontrava. Procurei, com os melhores argumentos, desviar-lhe a atenção. Em seguida, percebendo a inutilidade das minhas palavras, tentei puxá-la pelos braços. Também não adiantou. O seu corpo era pesado demais para que eu conseguisse arrastá-lo.
Desorientado, sem saber como proceder, encostei-me à amurada. Não lhe vira antes tão grave o rosto, tão fixo o olhar. Aquele seria o derradeiro pedido. Esperei que o fizesse. Ninguém mais a conteria.
Mas, ao cabo de alguns minutos, respirei aliviado. Não pediu a lua, porém uma minúscula estrela, quase invisível a seu lado. Fui buscá-la.
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fonte: O Pirotécnico Zacarias (Editora Clube do Livro, 1988)

terça-feira, abril 27, 2010

Achamento

Quem descobriu o Brasil
Quem descobriu a América
Quem descobriu o Caminho das Índias

Atormentado por tantas descobertas
Eu me contentava sozinho no quintal

sexta-feira, março 12, 2010

as escolhas que eu me fiz e as escolhas que me fizeram

WALT WHITMAN
Uma mulher espera por mim

(Tradução José Paulo Paes)

Uma mulher espera por mim, nela tudo se contém, não falta nada,
No entanto faltaria tudo se lhe faltasse o sexo ou a humidade do homem certo.
Tudo se contém no sexo, corpos, almas,
Significados, provas, purezas, delicadezas, proclamações, efeitos,
Ordens, canções, higidez, orgulho, o mistério materno, o leite seminal,
As esperanças todas, bens, outorgas, todas as paixões, belezas, amores,
os deleites da terra,
Todos os governos, juizes, deuses, o cortejo de pessoas da terra,
Tudo se contém no sexo como partes de si e justificações de si.
Sem pejo o homem de quem gosto sabe e confessa as delicias do sexo,
Sem pejo a mulher de quem eu gosto sabe e confessa as do sexo dela.
Pois eu me afasto das mulheres insensíveis,
Para ficar com a que espera por mim, e com as mulheres de sangue
quente que me satisfazem,
Eu vejo que elas me compreendem e não me repudiam,
Vejo que são dignas de mim e eu serei delas o marido vigoroso.
Essas mulheres não são em nada inferiores a mim,
Têm o rosto tisnado pelo brilho dos sóis e pelo sopro dos ventos,
Há na carne delas, antigas e divinas, agilidade, força,
Elas sabem nadar, remar, montar, lutar, atirar, correr, bater,
recuar, avançar, resistir, defender-se sozinhas,
São supremas por direito próprio - são calmas, límpidas, donas de si mesmas.
Puxo vocês para junto de mim, mulheres,
Não as posso deixar ir. vou lhes fazer bem
Existo para vocês e vocês para mim, não apenas para o nosso bem,
mas para o bem dos outros,
Envoltos em você dormem grandes heróis e bardos,
Eles se recusam a acordar pelo toque de outro homem que não eu.
Sou eu, mulheres, abro o meu caminho,
Sou severo, cáustico, indissuadível, mas amo vocês,
Não as machuco mais que o necessário a vocês mesmas,
Derramo a substância geradora de filhos e filhas dignos destes
Estados, assedio com músculo pausado e rude,
Me firmo eficazmente, não dou ouvido a rogos,
Não ouso retirar-me sem depositar o que há de muito acumulei dentro de mim.
Através de vocês eu dreno os rios enclausurados de mim mesmo
Em vocês concentro mil anos de futuro,
Em vocês faço enxerto dos tão amados por mim e pela América,
As gotas que em vocês destilo farão medrar moças atléticas e ardentes, novos artistas, músicos, cantores,
As crianças que em vocês procrio vão procriar, por sua vez, outras crianças,
Exigirei, dos meus dispêndios amorosos, homens e mulheres perfeitos,
Eles irão se interpenetrar, espero, como eu e você agora nos interpenetramos,
Contarei com os frutos dos generosos aguaceiros deles como conto
com os frutos dos aguaceiros que ora entorno.
Vou ficar à espera das ternas colheitas do nascimento, vida, morte, imortalidade
Que tão amorosamente planto agora.

quarta-feira, março 03, 2010

Diálogo em prosa e poesia

Um dia eu procurei uma Malu que estava em todos os lugares. Era morena alta, loira gordinha, preta gostosa. Malu não se escondia, mas eu teimava em procurá-la.

sábado, fevereiro 13, 2010

poema de um primeiro querer

Tenho vontade de ficar estranho
Com grandes barbas de profeta
Sair carpindo versos e bagatelas
Até o sol escurecer-me o semblante

segunda-feira, fevereiro 08, 2010

as escolhas que eu me fiz e as escolhas que me fizeram

"Era uma vez um homem chamado Albinus, que vivia em Berlim, Alemanha. Era rico, respeitável, feliz. Um dia abandonou a esposa por uma amante jovem. Amava; não era amado — e sua vida terminou em desastre.
Eis aí toda a história, e bem poderíamos abandoná-la neste ponto, se não houvesse vantagem e prazer em contá-la. Embora haja espaço mais do que suficiente numa pedra tumular para conter, encadernada em musgo, a versão resumida da vida de um homem, os pormenores são sempre bem recebidos."


Parágrafo inicial do romance
Gargalhada no escuro - Vladimir Nabokov

segunda-feira, janeiro 25, 2010

haykay 70
pessoas andavam black
tudo respirava blue
eu beautiful

terça-feira, janeiro 05, 2010