quarta-feira, julho 31, 2013

Fragmento líquido

Eu te esperava
E chovia
Até ver eu via
Mas chovia,
Chovia
E em nenhuma
Água você vinha

terça-feira, julho 30, 2013

Fragmento à guisa de uma resposta

na horizontal
e na
v
e
r
t
i
c
a
l
se faz amor e poesia


domingo, julho 28, 2013

Fragmento para inexistência

Eu me descobri
Num despertencimento
Aqui jaz o eu que havia

sábado, julho 27, 2013

O labirinto sentimental dos versos perdidos

Em qual galáxia se prende
Os versos que te ofertei
Em qual oferenda ou prenda
Saliva a inocência
Das palavras não lidas
Porque fostes o sutil
Encanto da metáfora
Toda a sina da metonímia
A imprevista amálgama
A perdida teia da prosopopeia

sexta-feira, julho 26, 2013

Quase pedra, quase poesia

Na cidade pequena
Pedra e poema
São o mesmo teorema

Na cidade grande
Urbe e poesia
São a mesma algaravia

quinta-feira, julho 25, 2013

Quase 1 verso, quase 1mg

Eu e meu amor
Não fomos felizes
Por um triz

Eu fazia poemas
Ela tomava rivotril

quarta-feira, julho 24, 2013

Litania para rudimentos de uma antemanhã

p/Lara Amaral

Da pele quero solfejo de sílabas
Invadir de mar tua língua
Clara semente de alumbramento

Da pele quero teu branco que urge
Ondular-me neste aceso tão cedo
Deste vosso gesto febril de enlevo

terça-feira, julho 23, 2013

fragmento

na minha linguagem de equívocos
a solidão é monossílabo
e a ausência polissemia do vazio

sexta-feira, julho 19, 2013

1 poema para a estação Rimbaud

Atravessado pelas quinas de uma palavra
Eu me debruço sobre as ruínas do tempo
Há o pálido, o frágil, o lívido
Como labirinto para todas as fugas
Teu olho me ruge como louco farol

quinta-feira, julho 18, 2013

Uma ária para esculpir lâmina e vidro

Que me soprem eflúvios
dos teus olhos
Nesta manhã tão árida

Que me corte a pele
Teus sargaços de retina

Que me bendiga o fogo
Deste azeviche
Que me brilha as mãos 

terça-feira, julho 16, 2013

quando nada mais cabe, o vazio está completo

o poeta disse que era todo coração
quiçá fosse assim meu peito
que o amor abusa de coação

sábado, julho 13, 2013

Outra canção para prelúdio e primícias

 Prelúdio

A chuva é só um detalhe líquido
A rosa um detalhe rubro
O arrebol um detalhe lúdico
O ocaso um detalhe lúcido

Primícias

Ensandecido, assim, de ausências
Desenho a solidão numa árvore


sexta-feira, julho 12, 2013

Aqueles que éramos então

Deito-me em mortes por tuas mãos
Deleito-me por esta sorte

quinta-feira, julho 11, 2013

Canção para prelúdio e primícias


1. Prelúdio

Quando tu vieres
Sonata, pergaminho
Ou arrebol
Que eu te perceba olhos
Caminho, porto, farol

2. Primícias

Quando tu vieres
Ária, manuscrito
Ou girassol
Que eu te perceba lábios
Vereda, perdição: só

quarta-feira, julho 10, 2013

Crônica para desenlace repetido

Depois que escreveu o verso
Saiu para comprar cigarros
E nunca mais voltou

Ela nunca quis ler
Aquelas últimas palavras

terça-feira, julho 09, 2013

Fragmento para outros tons

O que havia de textura
Era risco vítreo
A solidão rouge
Invadindo céu tão azul




a partir da foto de Cris de Souza






* ganhei um presente da Indigo aqui

segunda-feira, julho 08, 2013

Uma ária para deleite de sol na asa

p/ Lelena Terra

Para matizes incandescentes
Pastel, óleo, lápis, grafite
Elevam-se os tons em nuvem

Pátinas, lentes, semoventes
Serenas luzes recorrentes
Indizível que percorre a mente

Transitam pés, pétalas, cores
O que faz do sutil apontamento
O fogo-fátuo do alumbramento


domingo, julho 07, 2013

Fragmento rude

Alguma coisa é silêncio
Todas as outras olvido

sábado, julho 06, 2013

Deixa-me arder em teu ventre

É no silêncio que investigo
A procissão íntima
Para qual me entrego

Nu até o vento assovia
As coisas entardecem mas não findam
Nenhum verso me salva dessa agonia

sexta-feira, julho 05, 2013

Ode à perversidade cartesiana

como lírio aceso na imensidão
confinado ao desígnio
do rubro anseio
poema ou pedra
vapor desperto ou suspenso
de todos os fins me permeio

quinta-feira, julho 04, 2013

Ensaio para ilhas férteis e cruéis silêncios

O poeta rugiu que a carne é triste
Eu sorri em êxtase
Depois queimei todos os livros
Por destino escrevi este epitáfio:
Que a poesia não me deixe vestígios

quarta-feira, julho 03, 2013

Poema para axiomas, paradigmas e afins

Quando o sol repousar
O rastro luminoso
Sobre meus parcos cabelos
Estarei eu e Josef K
Examinando as telas
De Titorelli
E aguardando a
Chegada do senhor Huld

Enquanto isso, no copo,
No corpo, na solidão da alma
O vinho começa o processo
De decomposição

terça-feira, julho 02, 2013

Porque o silêncio caminha imenso em teus lábios II

ser ou não ser: eis
quisera pois
esquecer o que soo

segunda-feira, julho 01, 2013

caos ótico

para Cris de Souza

o tempo que não possuo
me invade em vácuo
às vezes suo, às vezes águo